Crise do STF

Diretor da PF nega espionagem e diz que produziu relatório por ordem de Moraes

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, contestou nesta sexta-feira (11) a interpretação de que um relatório de inteligência produzido pela corporação sobre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria resultado de uma investigação ilegal.

Em resposta ao presidente da Corte, Edson Fachin, Rodrigues afirmou que o documento foi compartilhado por determinação expressa do ministro Alexandre de Moraes, que à época era o relator do inquérito das fake news.

Em uma manifestação de 17 páginas, o diretor-geral também criticou a decisão de Mendonça da última terça-feira (8), que o afastou cautelarmente do cargo.

Segundo Rodrigues, a decisão teria partido de uma “interpretação equivocada” sobre a natureza da atividade de inteligência desempenhada pela Polícia Federal.

Rodrigues negou ainda que Mendonça ou o advogado-geral da União, Jorge Messias, tenham sido alvo de espionagem. De acordo com o diretor da PF, relatórios de inteligência não se confundem com investigações criminais e não têm como finalidade atribuir fatos ou responsabilidades às pessoas mencionadas nos documentos.

“Não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito de ministro deste STF e tampouco do Ilmo. advogado-Geral da União. Os documentos que foram questionados pela decisão proferida na Pet 16662 não são decorrentes de ações de vigilância, coleta clandestina de dados, ou qualquer medida invasiva”, declarou.

Na manifestação, Andrei Rodrigues sustentou que o relatório que apontou possíveis irregularidades na condução dos inquéritos relacionados ao Banco Master por Mendonça consistia em “análises de cenários”, elaboradas a partir de informações disponíveis e de interesses jornalísticos.

“Note-se que não se pode confundir o registro e análise de fatos institucionais conhecidos pela equipe no curso regular de seu trabalho com um monitoramento, que pressupõe acompanhamento de forma dirigida e contínua”, declarou Andrei.

O diretor-geral também afirmou que o relatório de inteligência possuía identificação adequada, embora não tivesse sido assinado. Segundo ele, a ausência da assinatura ocorreu como consequência do “reflexo do dever de proteção dos profissionais de inteligência“.

Ao concluir a manifestação, Rodrigues defendeu a legitimidade do material produzido pela PF e afirmou que os policiais atuaram dentro da autonomia inerente às suas funções.

“Com relação ao conteúdo, é importante destacar que os relatórios foram produzidos no plano da autonomia inerente ao exercício das funções de policiais e são plenamente legítimos“, afirmou.

Fonte: Poder360 – Foto: EBC

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