O empresário Maurício Camisotti, primeiro a firmar colaboração no caso da Máfia do INSS, ofereceu ressarcir cerca de R$ 400 milhões aos cofres públicos.
A proposta integra o acordo de delação premiada firmado com a Polícia Federal e já foi apresentada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Em uma avaliação inicial, Mendonça deu sinal verde aos termos apresentados. O valor proposto supera o montante que o próprio empresário afirma ter obtido com o esquema — pouco mais de R$ 200 milhões —, sendo reajustado com correções e penalidades até alcançar aproximadamente R$ 400 milhões.
A quantia deverá ser direcionada tanto ao erário quanto aos aposentados prejudicados pelas cobranças indevidas.
Apesar do avanço, o acordo ainda não está concluído. O ministro encaminhou o conteúdo da colaboração à Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a homologação.
Esse procedimento permite que o órgão avalie a consistência das informações e identifique possíveis lacunas ou a necessidade de complementação.
A negociação foi conduzida pelos advogados Celso Villardi e Átila Machado junto à Polícia Federal, o que gerou certo desconforto institucional.
Embora a PF tenha competência para firmar acordos de colaboração, a PGR busca manter protagonismo nesse tipo de instrumento.
O material foi enviado ao órgão em março, e a equipe do procurador-geral Paulo Gonet deve se manifestar nos próximos dias, com expectativa em torno de 22 de abril.
Camisotti foi preso em setembro, na mesma operação que também levou à detenção de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ambos seguem detidos.
Apontado como peça central do chamado “núcleo financeiro” da organização investigada, o empresário teria atuado na intermediação entre associações e empresas responsáveis pelas cobranças.
De acordo com a Polícia Federal e com apurações da CPMI do INSS, o esquema envolvia descontos em massa diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, com suspeitas de ausência de consentimento e falhas nos mecanismos de controle.
A delação de Camisotti é a primeira decorrente da Operação Sem Desconto e pode abrir caminho para novos desdobramentos nas investigações sobre irregularidades no sistema previdenciário brasileiro.
DO – Poder360 – Foto: EBC