Ação Política

Flávio intensifica disputa contra Lula e vai aos EUA para negociar tarifas

Flávio Bolsonaro, senador (PL-RJ) e pré-candidato à Presidência, viaja a Washington nesta segunda-feira para tentar adiar uma tarifa comercial de 25% proposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ele busca persuadir o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a postergar a medida até após as eleições de outubro, distanciando-se de acusações que ligam seu campo político às taxações. A visita ocorre em meio a um cenário político complexo, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve concorrer à reeleição, acusando o senador de ter contribuído para a imposição dessas tarifas.

O que aconteceu – O senador Flávio Bolsonaro está em Washington para negociar o adiamento de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, propostas pelos EUA.

Em junho, o governo Trump propôs as tarifas alegando violações comerciais, como desmatamento ilegal e práticas desleais de pagamentos eletrônicos. O presidente Lula acusa Flávio Bolsonaro de ter auxiliado a desencadear as medidas, o que o senador nega veementemente.

Em junho, o governo Trump propôs tarifas sobre o Brasil alegando violações comerciais, como desmatamento ilegal e o que chamou de práticas desleais em pagamentos eletrônicos. A iniciativa ocorreu pouco depois de Flávio, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ter se reunido com altos funcionários norte-americanos em Washington. A sequência de eventos levou o presidente Lula a acusar o senador de ter ajudado a desencadear a medida — acusação que Flávio nega.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, disse o Planalto em nota, após a visita de Flávio a Trump. A iniciativa de Flávio Bolsonaro de tornar as relações EUA-Brasil uma pauta de campanha está amplamente alinhada com o crescente engajamento do presidente Donald Trump com a América Latina.

Por que a viagem a Washington é estratégica? Este engajamento de Trump inclui a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, após capturá-lo em Caracas, e o apoio a candidatos presidenciais de direita, como o colombiano Abelardo De La Espriella, que obteve uma vitória apertada no mês passado. No entanto, o senador Flávio Bolsonaro argumentou que novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros “dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem arquitetando”. A declaração foi feita em documento enviado ao Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês).

De acordo com uma pesquisa divulgada no mês passado pelo instituto Quaest, no que se refere às tarifas, 47% dos brasileiros concordaram com Lula, que acusou Flávio de pedir aos EUA que impusessem novas tarifas sobre produtos brasileiros. Por outro lado, 35% concordaram com o senador, que afirmou ter pedido o contrário. “Eles estão tentando fazer controle de danos,” disse Leonardo Paz, professor de relações internacionais do Ibmec e da Fundação Getúlio Vargas.

As negociações para o adiamento – Autoridades brasileiras vêm negociando com seus homólogos norte-americanos há meses para tentar evitar novas tarifas. Contudo, Flávio argumentou que o Brasil não fez o suficiente para encontrar um meio-termo com os EUA e propôs uma suspensão de 180 dias antes de qualquer decisão sobre as tarifas. “O Brasil realiza eleições gerais em outubro de 2026, e o cenário político que determina a viabilidade de qualquer resolução negociada será redefinido em aproximadamente noventa dias”, escreveu o senador ao USTR.

Os EUA têm até 15 de julho para decidir se impõem as tarifas sob a Seção 301 da legislação comercial dos EUA, que ainda isentariam produtos como carne bovina, café, terras raras e peças de aeronaves. A mais recente viagem de Flávio a Washington fez parte de um esforço mais amplo de sua família para conquistar o apoio do governo Trump, que incluiu negociações no ano passado para buscar a interferência da Casa Branca no julgamento do pai, referente à sua tentativa de reverter a derrota eleitoral de 2022.

Trump impôs tarifas pesadas aos produtos brasileiros no ano passado em resposta ao que chamou de uma caça às bruxas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro foi condenado meses depois. Até agora, porém, os esforços do senador Flávio para evitar novas tarifas parecem estar tendo pouco impacto. Em resposta a uma carta que Flávio enviou no mês passado pedindo a Washington que não impusesse tarifas adicionais aos produtos brasileiros, o senador norte-americano Marco Rubio escreveu que “continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”, apontando-as como justificativa para as medidas propostas.

Fonte: IstoE – *Com Reuters – Foto: Reuters

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