O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu impedir que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS consulte informações pessoais de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, armazenadas na chamada sala-cofre do colegiado.
Na decisão, o magistrado estabeleceu que nenhum integrante da comissão poderá acessar o material guardado no local. Segundo Mendonça, a medida busca resguardar aspectos da intimidade dos envolvidos nas investigações.
O ministro também ordenou que a Polícia Federal providencie a retirada de todos os equipamentos mantidos na sala-cofre. Além disso, determinou que conteúdos relacionados à vida privada de Vorcaro não sejam compartilhados com os parlamentares da CPMI.
O caso ganhou novos contornos após a prisão do banqueiro, quando dados obtidos de seu celular foram encaminhados à comissão e, posteriormente, tornados públicos pela imprensa.
Embora Mendonça tenha autorizado o envio das informações, a liberação estava condicionada a um filtro prévio da Polícia Federal, que deveria encaminhar apenas o que tivesse relação direta com as apurações.
Ainda assim, a CPMI teve acesso a diálogos de caráter pessoal, incluindo conversas íntimas entre Vorcaro e sua então namorada, Martha Graeff.
Diante do vazamento, o ministro determinou, no início de março, a abertura de investigação para apurar a divulgação indevida. O material revelado trouxe à tona relações pessoais e levantou suspeitas envolvendo o empresário e agentes políticos.
Entre os dados estão mensagens trocadas em aplicativos, e-mails e uma lista de contatos que inclui nomes como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, todos ministros do STF.
Em meio ao avanço do caso, Vorcaro promoveu mudanças em sua equipe jurídica na última semana. Deixaram a defesa os advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval.
A representação passou a ser conduzida por José Luis Oliveira Lima, conhecido por atuar em casos de grande repercussão, como as defesas do general Walter Braga Netto e do ex-ministro José Dirceu.
Fontes: UOL – CNN – Foto: STF