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Vazamentos provocam troca de farpas entre Gilmar Mendes e Janot

Após ministro do STF acusar PGR de vazar depoimentos e documentos de apurações, procurador-geral fala em ‘mentes dadas a devaneios’ e ‘decrepitude moral’

O clima azedou entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por causa do debate a respeito do vazamento de informações sigilosas de investigações em andamento.

Na terça-feira, durante uma sessão da Segunda Turma do STF, o ministro insinuou que a Procuradoria-Geral da República (PGR), uma das responsáveis pela Operação Lava Jato, está envolvida com a divulgação ilegal de apurações.

Ele disse que a Procuradoria está fazendo o Supremo de “fantoche” e, dirigindo-se à subprocuradora-geral, Ella Wiecko, pediu mais “respeito” por parte do órgão. Mendes chegou a dizer que era a favor de que documentos e depoimentos vazados, como parte das delações premiadas da Odebrecht, fossem descartados pela Justiça.

Nesta quarta-feira, Janot reagiu. Ele fez um discurso em homenagem aos três anos da Operação Lava Jato, durante a Reunião de Avaliação das Eleições 2016, e, apesar de não citar Gilmar Mendes, repudiou “com veemência” a insinuação de que o Ministério Público estaria envolvido com vazamentos. “É uma mentira que beira a irresponsabilidade”, alegou.

O procurador estava se referindo à coluna publicada pela jornalista Paula Cesarino Costa, ombudsman do jornal Folha de S.Paulo, e comentada por Mendes, de que procuradores promovem “entrevistas coletivas em off”, reuniões com jornalistas em que, sob a proteção do anonimato, passam informações secretas. Janot declarou que atribui essa versão a “mentes ociosas e dadas a devaneios, mas, infelizmente, com meios para distorcer fatos”.

“Entreter a opinião pública”

Na sessão de terça-feira, Gilmar Mendes afirmou que tal procedimento é crime, que “os procuradores certamente não desconhecem”. E criticando o Ministério Público, que tem como função principal investigar, que “as investigações devem ter por objetivo produzir provas, não entreter a opinião pública ou demonstrar autoridade”.

Para ele, quem não compartilha da sua avaliação de que as investigações estão comprometendo, não só os políticos de hoje, mas as  próprias instituições da política, é “um irresponsável”. “Não é digno de ocupar os cargos que porventura está a ocupar”, concluiu.

Veja.com

 

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