A eliminação da seleção brasileira no Mundial feminino no último domingo, quando as meninas perderam por 1 a 0 para a Austrália nas quartas de final da competição, voltou a evidenciar os problemas de sempre: falta de apoio à categoria, pouca visibilidade e tempo curto para entrosamento. Porém, uma jogadora está disposta a tentar mudar o quadro. Ela não entrou em campo no Canadá com a amarelinha, mas trabalha em outra arte para ajudar suas colegas na busca pelo reconhecimento: Marina de Sousa, responsável pelo conteúdo editorial da Maurício de Sousa Produções e filha do desenhista, pratica o esporte nas horas vagas, inspirou uma personagem que também arrisca bater uma bolinha nas revistinhas e iniciou uma campanha de incentivo ao futebol feminino com a Turma da Mônica.
No dia 13 de junho, quando as brasileiras enfrentaram a Espanha – venceram por 1 a 0 ainda na fase de grupos -, Marina teve a ideia, ao conversar com amigas, de fazer uma ilustração para tentar divulgar o Mundial nas redes sociais. Para isso, usou a personagem principal Mônica, que lidera a turminha, Magali e a própria Marina. Na imagem, elas aparecem jogando futebol com a frase: “Vai, seleção feminina!”. A iniciativa teve boa repercussão e a ideia cresceu dentro da empresa, chamando atenção até do próprio Maurício de Sousa.
– Ele elogiou e disse para eu encabeçar esse projeto. Já estamos incluindo meninas jogando com meninos para mostrar que não é nada de outro mundo um jogo de futebol misto. Nós já temos circulando uma revista em que a Marina joga futebol com os meninos, e daqui para frente vai ser assim mesmo, não só os meninos vão estar na quadra nos quadrinhos – garante.
A roteirista, que também herdou o dom do pai para os desenhos, acredita que a iniciativa pode abrir portas para muitas meninas pelo Brasil e até pelo mundo, já que as historinhas de Mônica e companhia chegam a outros países. Se muitas delas não sabem nem por onde começar a procurar como iniciar a carreira, a partir das revistinhas de Maurício de Sousa, elas poderão encontrar a coragem que lhes falta para ir atrás do sonho de jogar futebol.
– Com certeza (essa iniciativa vai incentivar meninas). Acho que falta informação. Sempre tem um cara que joga depois do trabalho e chama o outro. A mulher não tem muito isso. Acho que as meninas não sabem nem como começar a procurar. Quanto mais elas souberem que tem meninas que jogam, é melhor – observou.
Redação com Ge
