Anistia
‘Reaja, Brasil’: Direita vai às ruas neste domingo (3)
Neste domingo (3), lideranças políticas de direita realizam manifestações simultâneas em pelo menos 13 estados e no Distrito Federal, com atos marcados em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ao menos 23 cidades registram manifestações, conforme cálculos do Poder360. Nas redes sociais, o ato foi chamado espontaneamente de ‘Reaja, Brasil’.
A mobilização ocorre em um momento politicamente sensível, dias após os Estados Unidos anunciarem sanções contra o Alexandre de Moraes e imporem uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, como parte de uma escalada de tensão entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva.
Em São Paulo, onde está previsto o maior público, a manifestação na Avenida Paulista está marcada para as 14h e é organizada pelo pastor Silas Malafaia. Ele também é um dos nomes que discursarão no evento, ao lado dos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), este último líder do Partido Liberal na Câmara. A presença de governadores, contudo, ainda não havia sido confirmada até o início da tarde.
Principal aliado de Jair Bolsonaro em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não participará dos atos. Ele está submetido a um procedimento médico não invasivo na tireoide — uma radioablação guiada por ultrassonografia — agendado para esta tarde.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, também não comparece aos atos por estar submetido a medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal. Atualmente, ele é obrigado a permanecer em casa nos finais de semana, como parte das restrições determinadas pela Justiça.
Mesmo ausente, o ex-presidente é representado. Em Belém (PA), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou da mobilização ligada ao evento do ‘PL Mulher’, subindo em um trio elétrico e acenando para os apoiadores.
No Rio de Janeiro, os filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), marcaram presença no ato realizado na cidade. O governador fluminense Cláudio Castro (PL) também compareceu.
A manifestação tem como bandeiras principais o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e de Lula, além da pressão pela aprovação do projeto que concede anistia a investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
O projeto, atualmente parado na Câmara dos Deputados, voltou a ganhar força entre setores da oposição após o anúncio das sanções norte-americanas.
Na capital paulista, são esperados nomes como o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, além de outras lideranças conservadoras e religiosas.
As mobilizações deste domingo marcam uma mudança de estratégia, com ações simultâneas em diferentes estados, diferentemente de eventos anteriores que concentravam grandes públicos em cidades isoladas, como Brasília, Rio ou São Paulo. O momento é visto por aliados de Bolsonaro como uma oportunidade de fortalecer a pressão política, aproveitando o impacto simbólico das sanções internacionais e o desgaste de figuras do Judiciário entre a base conservadora.
Ainda que a participação de governadores seja incerta, a organização aposta na presença popular para renovar o discurso em torno de pautas como liberdade de expressão, enfrentamento ao Judiciário e críticas ao governo federal.