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Joaquim Silva e Luna nega intervenção de Bolsonaro na Petrobras

O general Joaquim Silva e Luna, designado pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir a Petrobras, afirmou não ter recebido “recomendação de interferência na política de preços” da estatal, que somente este ano aumentou quatro vezes os preços dos combustíveis.

Silva e Luna observou que o valor dos combustíveis é definido pela cotação do petróleo no mercado internacional e do dólar no Brasil, e as decisões sobre reajustes são tomadas pela diretoria executiva, e não dependem apenas do presidente da estatal.

Na entrevista ao jornalista Cláudio Humberto, do Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, Silva e Luna procurou ser prudente em relação a temas mais polêmicos, porque a indicação ainda precisa cumprir a formalidade de ser aprovada pelo conselho de administração da Petrobras, onde o governo federal tem sete dos dez votos.

Ainda com relação aos preços, o general disse ter percebido que o presidente Jair Bolsonaro espera que eles sejam mais previsíveis para o consumidor. Ele considera que seria muito bom adotar no Brasil um sistema de estabilização de preços existentes em vários países, sobretudo na Europa.

No Reino Unido, por exemplo, o imposto cai quando o custo do combustível sobe, assim como o tributo aumenta à medida que o custo do produto cai. O futuro presidente da Petrobras, que deve ser confirmado nesta terça-feira (23), disse que outra opção seria a criação de fundo que compense o aumento dos custos.

A Petrobras tem 52 mil empregados e chega a pagar salários de até 107 mil reais – três vezes o que ganha o presidente da República. Esse valor exclui os penduricalhos e regalias pagos pela estatal, segundo relatório da Secretaria de Desestatização do Ministério da Economia.

Estatais como Petrobras pagam auxílio-babá, auxílio-creche e até auxílio-cuidador cuidador, sem contar os gatos de R$2,2 bilhões – custos que acabam impactando ao preço de produtos e serviços de qualquer empresa, afirma Silva e Luna.

General da reserva, Joaquim Silva e Luna nasceu na cidade de Barreiras, em Pernambuco, e tem 71 anos. A formação acadêmica inclui pós-graduação em Projetos e Análise de Sistemas pela Universidade de Brasília, mestrado em Operações Militares, e doutorado em Ciências Militares.

Antes da indicação para a Petrobras, ele comandou durante 2 anos a parte brasileira da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

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