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Grupo feminista aciona Justiça contra curso de Juliano Cazarré

Ao longo da história, tentativas de restringir ideias, opiniões ou manifestações raramente se apresentaram como censura. Quase sempre, vieram acompanhadas de justificativas consideradas nobres, como a proteção da sociedade, a defesa da ordem pública, o combate à desinformação ou a preservação de determinados valores.

Em diferentes épocas e contextos, o controle da palavra foi frequentemente revestido por discursos de boas intenções, tornando mais difícil identificar os limites entre a legítima proteção de direitos e a supressão da liberdade de expressão.

É justamente por isso que debates envolvendo restrições a discursos, eventos ou manifestações costumam despertar preocupações: quando a censura se apresenta como censura, ela é facilmente reconhecida; quando se veste de virtude, tende a encontrar menos resistência e mais aceitação social.

Assim, a ‘União Brasileira de Mulheres’ ingressou com uma interpelação judicial contra o ator Juliano Cazarré e a UNI Ítalo em razão do evento “O Farol e A Forja”, anunciado pelos organizadores como “o maior encontro de homens do Brasil”. O encontro está programado para ocorrer entre os dias 24 e 26 de julho, em São Paulo.

Na ação, a entidade solicita que Cazarré e a instituição de ensino prestem ‘esclarecimentos formais’ sobre o conteúdo que será abordado durante o evento. A UBM também pede que sejam adotadas medidas para ‘impedir’ manifestações que possam ser ‘consideradas’ misóginas, discriminatórias ou ofensivas às mulheres.

Além disso, a organização cobra que a universidade apresente garantias formais de que as atividades realizadas em suas dependências respeitarão princípios constitucionais relacionados à igualdade de gênero e aos direitos humanos.

O evento tem como proposta reunir homens para discutir temas ligados à vida profissional, casamento, paternidade, espiritualidade e responsabilidade familiar. Segundo a divulgação dos organizadores, a programação busca refletir sobre desafios enfrentados pela figura masculina na sociedade contemporânea e promover valores associados à família e à fé cristã.

A agenda prevê palestras sobre desempenho profissional, fortalecimento dos vínculos familiares, papel dos pais na formação dos filhos e aspectos da espiritualidade cristã. O encerramento está previsto com a celebração de uma missa.

Após a repercussão da interpelação judicial, Juliano Cazarré se manifestou por meio de suas redes sociais. O ator afirmou que não pretende recuar diante das críticas e declarou que já enfrentou episódios de cancelamento por defender posições conservadoras e ligadas à religião católica.

Sem citar diretamente a ação judicial, Cazarré criticou o ambiente de polarização política e contestou tentativas de deslegitimar pessoas por divergências ideológicas. O ator também reiterou sua disposição de seguir com o projeto.

A mobilização em torno do evento ganhou ainda mais repercussão após manifestações da influenciadora Leticia Cazarré, esposa do ator. Em publicação nas redes sociais, ela compartilhou uma reflexão sobre transformação pessoal, afirmando que mudanças significativas ocorrem por meio de processos internos e não pela destruição do passado.

Fonte: O Globo – Oeste – Foto: Divulgação

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