Após uma sequência de resultados positivos em gestões anteriores, com geração de caixa para a União, empresas estatais não dependentes mergulharam em um ciclo deficitário desde o início da atual gestão Lula (PT).
Os dados vêm de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou que a situação tem levado à necessidade de aportes bilionários por parte do Tesouro nas companhias que, em tese, deveriam gerar receitas suficientes para cobrir seus próprios custos operacionais, sem depender do Orçamento da União.
Entre as estatais classificadas como não dependentes estão os Correios, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a Eletronuclear e a Casa da Moeda do Brasil.
O déficit já produz efeitos diretos sobre o orçamento da União, comprometendo o planejamento e a execução de políticas públicas. No parecer sobre as contas do governo Lula referentes a 2025, o TCU afirmou que a necessidade de acomodar o rombo das estatais levou o governo a reduzir recursos destinados a órgãos responsáveis por políticas públicas, obrigando ministérios e demais áreas da administração federal a reverem planejamentos.
Segundo o relatório do órgão, dos R$ 3,29 bilhões contingenciados pelo governo até o 5º bimestre de 2025, “aproximadamente 91% decorreram da necessidade de absorção do déficit das estatais”.
“Isso impôs restrições orçamentárias a órgãos responsáveis por políticas públicas, exigindo replanejamento forçado e afetando a continuidade de programas governamentais”, diz o parecer.
Embora o governo tenha cumprido formalmente a meta de déficit para o setor (R$ 6,2 bilhões), o TCU alerta que isso só ocorreu por fatores conjunturais, como o atraso na contratação de um empréstimo pelos Correios, o que adiou despesas, “maquiando” os números consolidados.
Fonte: Gazeta do Povo – Foto: Instagram