No Nordeste, Luiz Gonzaga é uma lenda. O “Rei do Baião” cantou a região como ninguém. Com seu canto, e sua sanfona inseparável, chapéu de couro e gibão, elevou a identidade, a cultura e os ritmos nordestinos a todo o Brasil. A obra de Luiz Gonzaga ficou imortalizada como expressão de um povo com seus costumes, raízes e tradições. Parte do acervo do artista está em exposição em Campina Grande como destaque da 43ª edição do Maior São João do Mundo.
Instalada no Parque Evaldo Cruz, a mostra” Luiz Gonzaga, 110 anos do Nascimento” apresenta um acervo raro sobre a vida e a obra do Rei do Baião. A exposição é um projeto interativo realizado a partir do livro “Luiz Gonzaga 110 de Nascimento”, organizado pelo paraibano, radicado em Fortaleza, Paulo Wanderley. Repleta de memórias afetivas, a exposição transporta o visitante para o universo de Luiz Gonzaga.
Entre sanfona e memórias, a exposição tem chamado atenção de visitantes e, principalmente, de fãs de Luiz Gonzaga. Em meio ao colorido das bandeiras e ao som do forró que toma conta da cidade durante o São João, a exposição tem atraído visitantes de diferentes regiões do País.
A mostra reúne fotografias, objetos históricos, figurinos, sanfona, microfone, álbuns de fotos, objetos pessoais, cartão do banco e documentos do “Rei do Baião” que ajudam a contar a trajetória do artista que se tornou um dos maiores símbolos da cultura nordestina.
O pesquisador, colecionador e curador da exposição, Paulo Vanderley, deu detalhes da mostra que tem atraído muita gente de todas as idades. Segundo o pesquisador, o espaço foi pensado como uma forma de aproximar o público da história de Gonzaga por meio de uma experiência sensorial e acessível.

A exposição imersiva em homenagem a Luiz Gonzaga tem emocionado visitantes de diferentes idades, que destacam a importância de preservar a trajetória do “rei do baião” e sua contribuição para a cultura nordestina. Para muitos, a mostra representa uma oportunidade de conhecer mais de perto o legado do artista e reviver lembranças ligadas à música e às tradições da região.
Em pouco mais de 15 dias, mais de 50 mil pessoas já visitaram a exposição. Filas chegaram a ser formadas em alguns dias, principalmente nos finais de semanas. Pessoas de todas as idades e de vários lugares do Brasil.
“A procura tem sido muito grande principalmente nos finais de semana. As pessoas esperam nas filas para ver a exposição. Estamos felizes com o retorno dos visitantes. Muita gente se emocionando e trazendo memórias afetivas. Eu autografei livros para pessoas de todas as regiões do País “, avaliou Paulo.
A exposição, ambientada com chapéus gigantes à moda de Luiz Gonzaga, e chão reproduzindo o chão sertanejo e mandacarus floridos, o cacto símbolo do sertão evocado nos baiões e toadas do artista.
O vasto material, com relíquias de Luiz Gonzaga, foi catalogado por Paulo Wanderley durante 30 anos, desde que ele morava em Exu. Muitas das peças pertenceram ao acervo de Luiz Gonzaga, como álbum de fotos e microfones.
Uma das peças da exposição é uma caixa autografada por Luiz Gonzaga no show 50 Anos de Chão, realizado em Campina Grande, na despedida do Rei do Baião.
Paulo Vanderley explicou que a exposição foi organizada de forma cronológica, dividida em ilhas temáticas que representam as décadas de vida do artista, permitindo ao visitante acompanhar sua trajetória. A cenografia do espaço também chama atenção, como chapéus gigantes inspirados nos usados por Gonzaga.
Em cartaz há vários anos, a exposição “Luiz Gonzaga, 110 anos do Nascimento”, já percorreu algumas capitais do Nordeste, como Recife, Salvador, Aracajú e Fortaleza. Campina Grande foi a primeira cidade do interior a receber a mostra do Rei do Baião.
Mais que um mergulho na vida e na obra do rei do baião, a mostra traz memórias para o jornalista, pesquisador e escritor Chico Nóbrega. Ele é o autor do livro “O Reino do Baião – Personagens, Obras e o Nordeste”.

Chico Nóbrega passou parte de sua vida procurando aprofundar-se na carreira de Luiz Gonzaga, tendo inclusive participado da cobertura da morte do artista pernambucano, em agosto de 1989. Esta semana ele visitou a exposição dos 110 anos do nascimento de Luiz Gonzaga. Amigo pessoal de Paulo Vanderley, Chico Nóbrega disse ao PB Agora que a mostra serve para as novas gerações conhecerem um pouco do legado do “rei do baião”.
“O local é bastante espaçoso, proporcionando ao visitante de todas as gerações uma viagem incrível ao universo gonzagueano, a realização de fotos incríveis e, claro, a possibilidade de ouvir o seu baião ou xote ou toada preferida, e conhecer as imagens mais sensacionais do Rei do Baião. “A exposição no Parque do Povo contém instalações com as músicas de Luiz Gonzaga por décadas, uma linha do tempo da vida e da obra do Rei do Baião, a discografia gonzagueana em long-play, o popular LP, e muitas fotografias gonzagueanas” destacou o escritor.

Nascido em Exu, no Sertão, no dia 13 de dezembro de 1912, Dia de Santa Luzia, Luiz Gonzaga fez história na música brasileira e se tornou um dos primeiros representantes da cultura nordestina a obter notoriedade em todo o país.
Ao longo de meio século de carreira, Luiz Gonzaga deixou 44 discos de vinil e mais de 50 discos compactos, sem contar os discos gravados em 78 rotações e as coletâneas. Em suas obras, ele levou para o Brasil inteiro a identidade que ele criou para o Nordeste: sanfona, chapéu de couro e gibão.
Para muitos pesquisadores, Luiz Gonzaga fez da sua obra uma enciclopédia que documentou todas as matrizes culturais nordestina. A expectativa dos organizadores é de que mais de 500 mil pessoas visitem a exposição ao longo do período junino na cidade. A visitação é gratuita e segue até 5 de julho, com funcionamento diário, das 17h à meia-noite.
Fonte: Pb Agora /.Severino Lopes – Foto: Exposição