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Corinthians não bate meta e fica mais próximo de perder controle da Arena para fundo

Como um contrato mal calculado, a economia em crise e a má relação com a Odebrecht podem tirar a operação do clube

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Emerson “Sheik” rouba a bola à esquerda e dispara. Vai até a grande área adversária e vira o jogo para a ponta direita. Jadson toca na bola só três vezes – uma para dominar, outra para frear e deixar o zagueirão escorregar com tudo, mais uma para mandar a bola por baixo da luva de Rogério Ceni. Corinthians dois, São Paulo zero. O jogo, válido pela Libertadores, foi o mais lucrativo do ano alvinegro em 2015. A renda líquida, descontadas despesas, chegou a R$ 2,1 milhões. No Pacaembu, ficava na metade disso. A equipe de Tite, campeã nacional inconteste, colecionou bons resultados – esportiva e financeiramente – em sua primeira temporada completa na Arena Corinthians. E nem por isso salvou o clube dos maus negócios feitos por dirigentes no passado. Fragilizado financeiramente, o Corinthians está um ano mais perto de perder a operação do estádio.

A Arena Corinthians, levantada pela Odebrecht por R$ 985 milhões, faz muito menos dinheiro do que cartolas sonharam anos atrás. Em reunião no Conselho Deliberativo corintiano, meses antes da Copa do Mundo de 2014, o ex-presidente Andrés Sanchez mostrou projeções exorbitantes em apresentação no Power Point aos conselheiros. Previa arrecadar R$ 330 milhões por ano. O sigiloso contrato de operação, que dá ao time o comando sobre a arena, assinado em 10 de junho de 2014 e obtido na íntegra por ÉPOCA, possui uma estimativa bem mais conservadora: R$ 150 milhões anuais. A metaestipulada no documento é menor – R$ 112 milhões. O que cartolas não esperavam é que a realidade fosse ser ainda mais severa. A Arena Corinthians arrecadou R$ 90 milhões em 2015 – ou R$ 7,5 milhões por mês – conforme relatou Rodrigo Cavalcante, da BRL Trust, responsável pelo fundo que controla o estádio, em reunião do conselho corintiano na noite de 7 de março. A performance abaixo do estipulado tem efeitos negativos para o Corinthians. Em curto prazo, o clube sacrifica as próprias finanças para cobrir o rombo. Em médio, abre brecha para perder a operação da arena para o fundo.

ÉPOCA

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