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Colunista do UOL diz que ‘Xandão miou como um xandinho’ em decisão sobre Bolsonaro

Em recente coluna, o jornalista Josias de Souza, do portal UOL, afirma que o ministro Alexandre de Moraes está travando uma espécie de “jogo esquisito” com Jair Bolsonaro, em artigo intitulado ‘Xandão miou como xandinho’.

Segundo o colunista, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares, mas preferiu não determinar sua prisão — algo que, na visão do jornalista, reforça a ideia de um embate mais simbólico do que jurídico.

“Alexandre de Moraes meteu-se num jogo esquisito. Brinca de gato e rato com Bolsonaro. Produziu nesta quinta-feira um despacho antiapoteótico. Nele, concluiu que o réu descumpriu medida cautelar. Mas preferiu não mandar prendê-lo”, escreveu Josias.

De acordo com o jornalista, a decisão desta quinta-feira (25) trata como “irregularidade isolada” a publicação feita por Eduardo Bolsonaro nas redes sociais. Na postagem, o deputado federal reproduz a cena em que o pai, na Câmara dos Deputados, aparece exibindo a tornozeleira eletrônica, em um gesto de provocação. “Faltou definir em que ponto o esperneio de Bolsonaro, ecoado pelo filho, foi criminoso”, pontua Josias.

Conforme a coluna, Moraes também recuou em relação a outro ponto polêmico: a proibição de entrevistas. Se no início da semana o ministro havia proibido que Bolsonaro concedesse entrevistas que pudessem ser utilizadas nas redes sociais, agora a interpretação mudou. Segundo Josias, “o ministro esclareceu que o capitão não está proibido de dar entrevistas. Mas será preso se fornecer material para abastecer as redes de sua milícia digital”.

Para o colunista, a decisão mantém um nível de “obscuridade”, principalmente ao não esclarecer como Bolsonaro poderá ser responsabilizado por eventuais compartilhamentos de suas falas em redes sociais de terceiros.

“O novo despacho manteve a obscuridade. Faltou explicar como se poderá responsabilizar Bolsonaro pelo uso que terceiros possam fazer de suas declarações em redes alheias”, observa Josias.

Ainda segundo o jornalista, o histórico e as alianças políticas do ex-presidente — especialmente com Donald Trump — poderiam justificar medidas mais severas, mas Moraes optou por sanções intermediárias.

“Tecnicamente, a aliança do clã Bolsonaro com Trump já seria suficiente para uma prisão preventiva. Moraes preferiu as cautelares. Acertou na tornozeleira, na reclusão domiciliar noturna e no distanciamento das embaixadas”, escreveu.

O problema, segundo o colunista, está na tentativa de controle das redes sociais, algo que, para ele, é difícil de se operacionalizar. “Quanto às redes, Moraes produziu uma restrição difícil de ser implementada. Podendo dar o braço a torcer, preferiu repetir que ‘a Justiça é cega, mas não é tola’”, disse Josias.

O texto conclui com críticas ao que considera uma postura leniente e confusa do ministro, especialmente diante da reincidência de Bolsonaro. Para Josias, “a experiência ensina que um Bolsonaro moderado é personagem fictício”, e a forma como Moraes redigiu sua decisão apenas convida o ex-presidente a seguir testando os limites.

“Moraes como que convidou Bolsonaro a testar os seus limites. Renovou a ameaça da tranca num despacho redigido com luvas de pelica. Gato de luvas não pega rato. Para não dar a Bolsonaro o papel de coitadinho às vésperas da entrada em vigor do tarifaço de Trump, Xandão teve que miar como Xandinho”, conclui Josias de Souza. (Foto: STF)

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