Marqueteiro trabalhou nas campanhas presidenciais de Lula e Dilma. Sentença do juiz Sérgio Moro foi publicada nesta quinta-feira (2).

João Santana e Monica Moura chegaram a ficar presos na carceragem da PF, em Curitiba. (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)
O juiz federal Sérgio Moro condenou o marqueteiro João Santana, a mulher dele em um processo da 23ª fase da Lava Jato por lavagem de dinheiro. Outros quatro réus também foram condenados por crimes como corrupção ativa e passiva e organização criminosa. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (2).
João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, foram alvos da Operação Lava Jato, pela primeira vez, na 23ª fase, deflagrada em fevereiro de 2016. Esta etapa recebeu o nome de Acarajé, que era como os suspeitos se referiam ao dinheiro irregular, de acordo com a Polícia Federal (PF).
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), parte da propina paga a partir do esquema de corrupção existente na Petrobras foi destinada ao Partido dos Trabalhadores (PT) para pagar serviços eleitorais.
João Santana foi marqueteiro nas campanhas presidenciais dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
“A lavagem encobriu a utilização de produto de corrupção para remuneração de serviços eleitorais, com afetação da integridade do processo político democrático, o que reputo especialmente reprovável. Talvez seja essa, mais do que o enriquecimento ilícito dos agentes públicos, o elemento mais reprovável do esquema criminoso da Petrobrás, a contaminação da esfera política pela influência do crime, com prejuízos ao processo político democrático”, afirmou Moro na sentença.
Na decisão, o magistrado ainda citou que o marqueteiro e a mulher dele confessaram em juízo as transferências, o contato com Zwi Skornick e João Vaccari e também os artifícios para ocultação e dissimulação das transferências como a utilização de conta off-shore no exterior e a simulação de contrato de prestação de serviços para conferir aparência lícita às transferências.
Veja quem são os condenados, crimes e penas
– João Cerqueira de Santana Filho – marqueteiro: 8 anos e quatro meses, lavagem de dinheiro
– Mônica Regina Cunha Moura – mulher de João Santana: 8 anos e quatro meses, lavagem de dinheiro
– Zwi Skornicki – operador: 15 anos, 6 meses e 20 dias, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, e organização criminosa
– João Vaccari Neto – ex-tesoureiro do PT: 10 anos, corrupção passiva
– João Carlos de Medeiros Ferraz – ex-diretor da Sete Brasil: 8 anos e 10 meses, corrupção passiva e organização criminosa
– Eduardo Costa Vaz Musa – ex-gerente da Petrobras: 8 anos e 10 meses, corrupção passiva e organização criminosa.