A presença de cianobactérias e cianotoxinas foi constatado em um estudo realizado pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) e que foi encaminhado para o Comitê da Bacia Hidrográfica da Paraíba (CBP-PB)
O professor e especialista em Recursos Hídricos Janiro Costa, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), afirmou que a presença de cianobactérias no açude Epitácio Pessoa, que abastece a região de Campina Grande, pode forçar a suspensão do abastecimento de água na região, prejudicando mais 18 cidades.
A presença de cianobactérias e cianotoxinas foi constatado em um estudo realizado pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) e que foi encaminhado para o Comitê da Bacia Hidrográfica da Paraíba (CBP-PB).
“Campina está em risco iminente de ficar completamente sem água. A proliferação dessas toxinas é muito rápida e esse processo é acelerado à medida que o nível no açude vai diminuindo. De uma hora para outra a concentração desses organismos pode ultrapassar o limite estabelecido pela legislação e, se isso acontecer, a Cagepa será obrigada a parar a distribuição da água do Boqueirão na cidade”, alertou o professor.
Conforme o especialista, o sistema de tratamento de água atual em Campina Grande não é capaz de reter as cianobactérias e cianotoxinas. Alguns desses organismos podem provocar doenças gastrointestinais, neurológicas ou na pele, podendo levar também à morte.
De acordo com o professor Janiro Costa, só há duas formas de conter a proliferação de cianotoxinas no Açude de Boqueirão.
“A primeira seria ampliar a estação de tratamento, com utilização de métodos mais avançados que fossem capazes de reter os organismos. Mas essa tecnologia exigiria um investimento financeiro muito alto. A outra forma seria a chegada de água no reservatório, pois quanto menor o volume, maior o potencial de contaminação na água. Com chuvas não podemos contar mais este ano, pois o que chover não será suficiente. Uma alternativa seria acelerar a Transposição do Rio São Francisco, cuja conclusão só está prevista para janeiro do próximo ano. Até lá, Campina pode entrar em colapso”, observou.
Segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), o açude Epitácio Pessoa tem apenas 9,4% de sua capacidade total. O reservatório tem uma capacidade total de mais de 441,6 milhões de m³, mas seu volume atual é de apenas 39,4 milhões.
Com Portal Correio
