Antes da divulgação do texto, 15 dos governadores participaram de encontro com Dilma, no Planalto, durante uma hora e meia. Na saída, endossaram que “o processo de impeachment, aberto na última quarta-feira, carece desta fundamentação” porque “não está configurado qualquer ato da Presidenta da República que possa ser tipificado como crime de responsabilidade”.
No encontro, estavam presentes governadores do PT e de partidos da base aliada, como PMDB, PCdoB e PSD. Os três governadores do PSB, cuja bancada do partido na Câmara dos deputados se diz independente e tem adotado uma postura favorável ao afastamento da presidente, também participaram da reunião de apoio à Dilma.
Na carta de apoio à presidente petista, os governadores governistas dizem que compreendem as dificuldades atuais pelas quais o país atravessa e lutamos para superá-las.
“Todavia, acreditamos que as saídas para a crise não podem passar ao largo das nossas instituições e do respeito à legalidade”, afirmaram. “Por isso, ciosos do nosso papel institucional, conclamamos o país ao diálogo e à construção conjunta de alternativas para que o Brasil possa retomar o crescimento econômico com distribuição de renda”, prosseguem.
Ao condenarem o processo de impedimento, os governadores que apoiam Dilma disseram que “o mecanismo de impeachment, previsto no nosso ordenamento jurídico, é um recurso de extrema gravidade que só deve ser empregado quando houver comprovação clara e inquestionável de atos praticados dolosamente pelo chefe de governo que atentem contra a Constituição”.
“É inaceitável alguém achar que vai chegar ao Poder de uma maneira que não é através das urnas. Essa pessoa está equivocada. Tirar uma pessoa que foi eleita democraticamente não leva a lugar nenhum”, afirmou o governador paraibano. Ricardo Coutinho também pediu para a bancada paraibana em Brasília que não aceitem o pedido de saída da presidente.
Após o encontro, a presidente iniciou uma segunda reunião com um grupo maior de governadores, incluindo integrantes do PSDB, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para tratar sobre o Plano Nacional de Enfrentamento à microcefalia, lançado no último sábado, no Recife.
Neste encontro ampliado, a pauta foi o surto provocado pelo Zika Virus, que já atinge 16 Estados. O governador do Maranhão, no entanto, aproveitou o encontro de todos os governadores para condenar a tentativa de se votar o impeachment contra Dilma no Congresso.
Participaram desse encontro prévio Rui Costa (PT-BA), Renan Filho (PMDB-AL), Paulo Câmara (PSB-PE), Flávio Dino (PC do B-MA), Camilo Santana (PT-CE), Ricardo Coutinho (PSB-PB), Robinson Faria (PSD-RN) e Jackson Barreto (PMDB-SE), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), Suely Campos (PP-RR), Waldez Góes (PDT-AP),Raimundo Colombo (PSD-SC) e as governadoras em exercício do Acre, Nazareth Araújo, e do Piauí, Margarete Coelho.
Desde a semana passada, Dilma e seus conselheiros políticos passaram a montar estratégia para conseguir barrar o impeachment no Congresso Nacional. Ela, por exemplo, já se encontrou com juristas, chamou ao Planalto 23 dos 31 ministros para uma reunião e tem participado de eventos públicos nos quais diz que não há base jurídica para o processo.
Após o processo de impeachment ser iniciado na Câmara, o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, informou que haveria o encontro entre a presidente e governadores contrários à decisão de Eduardo Cunha e afirmou que o governo se prepara para o “embate político que está começando”.
