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Polêmicas, liderança e lesões: a passagem de Valdivia pelo Palmeiras

valdiviaA relação de amor e ódio entre Palmeiras e Valdivia está bem perto de um ponto final. Classificado para as semifinais da Copa América, competição que está sendo disputada em seu país, o meia não tem se manifestado sofre o futuro. Mas o Al Wahda, dos Emirados Árabes, na última quinta-feira, se antecipou e anunciou a contratação do jogador – o contrato será assinado depois do torneio de seleções.

Depois de várias polêmicas e de momentos altos e baixos, o Mago deve encerrar sua segunda passagem pelo Verdão após ver a negociação de sua renovação contratual fracassar. Desde o fim do ano passado, meses depois da transferência do meia para o Al Fujairah melar, os dois lados falavam publicamente sobre o interesse em prorrogar o atual vínculo, válido até agosto. Na prática, porém, isso nunca foi um objetivo fácil de ser alcançado.

Defensor do atleta, o presidente Paulo Nobre sempre se mostrou disposto a conversar. Repetiu diversas vezes o discurso de que o Valdivia, motivado, era um dos principais meias do país. Mas em 2015, com a chegada de Alexandre Mattos, a situação mudou.

A primeira ideia da diretoria era definir a situação do chileno ainda em janeiro. Depois, os palmeirenses adotaram discurso de que “nenhum atleta era mais importante que o clube”. Já nas últimas semanas, todos viraram defensores e apoiadores da permanência de Valdivia.

Publicamente, o meio-campista fez duras críticas a Alexandre Mattos no Twitter, mas se desculpou logo em seguida. Depois, reclamou da demora da diretoria para apresentar uma oferta, feita somente no fim de março. Com a proposta em mãos, que previa bonificação por produtividade e uma significativa redução salarial, o atleta se revoltou e nem fez uma contraproposta.

Pessoas próximas a Valdivia culpam Mattos pela saída do atleta, que teria até questionado a postura do dirigente durante negociação com o Cruzeiro – em Minas, o jogador era apontado como fora dos planos de Oswaldo de Oliveira, mas na Academia de Futebol o discurso sempre foi de que ele era peça importante e fundamental no planejamento palmeirense.

No início desta semana, Alexandre Mattos falou novamente sobre a renovação de Valdivia e afirmou que haviam criado a falsa impressão de que ele seria contra a renovação. O dirigente, inclusive, ressaltou que tentou levar o atleta para o Cruzeiro três vezes e teria solicitado a renovação ao presidente Paulo Nobre.

Nos cinco anos de contrato, além das polêmicas e lampejos, Valdivia sofreu com as lesões. O jogador desfalcou o Verdão em inúmeras oportunidades por conta de problemas musculares, quase sempre. Em todas as temporadas ele perdeu partidas importantes por não ter condições de atuar e, no total, acabou atuando menos de 50% dos jogos da equipe nesta sua segunda passagem pelo clube.

Por causa das dificuldades físicas, o relacionamento do Mago com os departamentos médico e de fisioterapia nunca foi dos melhores. E ele deixou isso claro quando contratou o cubano José Amador, seu fisioterapeuta particular, para trabalhar no Verdão, em 2014. Neste ano, já sem o amigo no clube, postou foto em uma rede social dizendo que sentia falta dele e que, caso estivesse no Palmeiras, ele já estaria jogando – só estreou na temporada em abril.

Com 241 jogos pelo Verdão, o Mago deve se despedir depois da Copa América sem a oportunidade de quebrar o recorde do ex-lateral-direito Arce – com 243 partidas, é o estrangeiro que mais vezes vestiu a camisa alviverde.

Redação com Ge

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