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Bets cogitam ir à Justiça e cobrar até dano moral de Lula: ‘Setor não vai acabar amanhã’

Diante proibição das bets anunciada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira (25/9), as empresas do setor de apostas avaliam como reagir e cogitam recorrer ao Judiciário e acionar o governo federal por danos materiais e morais.

Representantes da indústria sustentam que o país já possui uma das legislações mais rigorosas do mundo e argumentam que uma eventual Medida Provisória (MP) não teria efeito imediato sobre o funcionamento das empresas.

Antes mesmo do anúncio oficial da proibição, no início da noite de sexta, representantes do segmento afirmaram que a medida provisória não encerrará as atividades do setor de uma hora para a outra.

“É importante destacar que a conversão da medida provisória em lei dependerá de aprovação pelo Congresso Nacional. E isso deixa claro que o setor não acaba amanhã”, disse à BBC News Brasil o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, em entrevista concedida algumas horas antes da medida ser formalmente apresentada.

Como qualquer MP precisa ser analisada e convertida em lei pelo Congresso Nacional, as empresas lembram que haveria um prazo legal de até 120 dias para tramitação parlamentar.

“Haverá ainda 120 dias para mostrarmos todos os efeitos negativos que o país terá em acabar com esse mercado regulado, que gera empregos e impostos para o país. Mas a forma como essa estratégia será conduzida pelas associações do setor ainda está sendo discutida.”

As plataformas afirmam que não pretendem adotar manobras para burlar a fiscalização ou migrar operações para domínios estrangeiros voltados ao público brasileiro.

A orientação do setor é cumprir as determinações oficiais do governo, embora considerem uma eventual proibição um “equívoco econômico e regulatório”.

“Vamos cumprir exatamente o que for determinado pelo presidente Lula, ainda que tenhamos a certeza do erro que ele está cometendo e que em um futuro breve ele também terá a certeza do equívoco”, afirmou ele à BBC News Brasil.

“Contudo, nós trabalharemos com respeito à legislação brasileira e com um cenário de diálogo saudável e sempre dentro das normas de regulamentação do país, que já possui uma das regulamentações mais avançadas e robustas do mundo.”

Mas recorrer à Justiça também seria, segundo Lemos, uma possibilidade concreta.

“Cada uma das empresas reguladas do setor fez uma outorga de R$ 30 milhões. Esse montante significa uma contrapartida paga pelas empresas para a exploração do serviço de apostas de quota fixa por cinco anos no país. E também não descartamos cobrar por danos materiais e morais.”

Fonte: BBC Brasil – Foto: Getty Creative/iStockphoto

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