O vídeo divulgado pelo colunista Lauro Jardim acrescenta um novo elemento às apurações sobre a relação entre o ministro do STF Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As imagens, registradas em 22 de agosto de 2025, mostram Moraes e Viviane desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de um jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, ligado a uma estrutura de aeronaves administrada pela Prime You, empresa que teve Vorcaro entre seus sócios.
O registro ganhou repercussão porque, em abril deste ano, Moraes havia afirmado que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. Procurado novamente, o ministro manteve a versão e negou ter utilizado aeronaves do ex-banqueiro. O vídeo, entretanto, mostra o ministro e a esposa deixando a aeronave e sendo recebidos na pista.
A viagem ocorreu cerca de três meses depois de uma negociação, identificada pela Polícia Federal, envolvendo um segundo contrato de até R$ 50 milhões entre o escritório de Viviane e uma empresa ligada a Vorcaro. Segundo documentos citados nas investigações, R$ 40 milhões seriam pagos por meio de cotas relacionadas a um jato e um helicóptero, enquanto outros R$ 10 milhões corresponderiam ao reembolso de despesas com os voos. O Legacy 650 aparece entre os ativos relacionados à negociação.
O escritório de Viviane Barci de Moraes, porém, afirma que essa segunda contratação não foi efetivada. A defesa sustenta que a proposta não foi aceita, que nenhum contrato foi assinado e que o único acordo firmado com o Banco Master foi encerrado após a liquidação da instituição.
Além do vídeo, mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro fazem referência ao uso de aviões e helicópteros por pessoas ligadas ao escritório. Em uma conversa de julho de 2025, Vorcaro pergunta ao responsável pela administração das aeronaves se “eles” estavam utilizando os equipamentos. A resposta afirma que os usuários já haviam utilizado aviões e helicópteros e que o responsável deveria manter contato para que continuassem usando as aeronaves.
O caso passa a integrar o conjunto de elementos analisados pela PF sobre as relações entre Vorcaro, o Banco Master e pessoas próximas ao ministro. A existência do vídeo e das mensagens é documentada, mas a investigação ainda discute o vínculo jurídico entre a utilização da aeronave e o contrato de R$ 50 milhões, que é negado pelo escritório de Viviane e pelo próprio Moraes.

“Nota do escritório Barci de Moraes
O escritório Barci de Moraes informa que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, cujos serviços foram utilizados em determinadas ocasiões.
Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório. Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation.
O escritório Barci de Moraes reitera que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation, tampouco realizou qualquer aquisição de cotas da empresa.”
Fonte: DP – Rodrigo Vilela – Foto: Divulgação