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“Dono” de empresa que pagou R$ 700 mil a ministra do STM, indicada por Gleisi, diz ser ‘laranja’

O escritório de advocacia da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, recebeu R$ 700 mil no fim de 2024 de uma empresa do setor de tecnologia que, segundo investigações, pode estar ligada a uma estrutura suspeita de movimentações financeiras. As informações são do site Metrópoles.

O caso ganhou novos contornos após o suposto proprietário formal da companhia, Ericsson de Azevedo, afirmar à Polícia Civil de São Paulo que nunca controlou a empresa e que teria atuado apenas como um “laranja”, após vender seus dados pessoais por R$ 5 mil para abertura de um CNPJ.

A empresa em questão é a ACX ITC Serviços de Tecnologia, citada no relatório final da CPMI do INSS como parte de uma rede empresarial investigada por possível lavagem de dinheiro atribuída ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Segundo a CPMI, o grupo reúne mais de 40 empresas e teria movimentado cerca de R$ 39 bilhões. Entre elas está a Victory Trading, que foi recentemente sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sob suspeita de ligação com o PCC.

No depoimento prestado em janeiro, Ericsson afirmou que entregou seus dados em um campo de futebol no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, onde vive, e disse não se lembrar de quem fez a proposta.

Ele relatou ainda que recebia cerca de R$ 1 mil em dinheiro sempre que era chamado para assinar documentos ligados à empresa, sem saber o conteúdo ou a finalidade das assinaturas. Disse também que vive da confecção de pipas e venda de rifas, com renda mensal aproximada de R$ 1 mil.

De acordo com relatório de inteligência financeira, os pagamentos da ACX ITC ao escritório de Verônica Sterman ocorreram entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, antes de sua posse no STM, feita por indicação do presidente Lula (PT).

A ministra afirmou anteriormente que os valores correspondem a honorários por três pareceres jurídicos relacionados a temas criminais envolvendo a empresa.

Outro escritório citado nas investigações é o do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro, que teria recebido R$ 595 mil da mesma companhia. Em nota, ele afirmou que os valores se referem a serviços jurídicos prestados em ações já encerradas e disse não conhecer Ericsson de Azevedo.

A ACX ITC também teve sigilo fiscal quebrado no âmbito da CPMI do INSS e passou a ser investigada após surgirem indícios de ligação com outras empresas do grupo apontado como responsável por movimentações suspeitas.

O caso integra a chamada Operação Saturno, conduzida pela Polícia Civil paulista, que aponta indícios de que a empresa teria movimentado cerca de R$ 918 milhões e seria parte de uma estrutura voltada à ocultação de recursos de origem ilícita.

O relatório final foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que defendeu o envio das investigações à Justiça Federal, diante da possível conexão com outros inquéritos de alcance nacional.

Fonte: Metrópoles – Foto: Ricardo Stuckert /Presidência da Republica

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