Senna

Europa reverencia Ayrton Senna em exposição imersiva sediada em Luxemburgo

O trágico acidente de Ayrton Senna, morto depois de bater seu carro na Curva Tamburello do autódromo de Ímola, durante a disputa do Grande Prêmio de San Marino de 1994, completa 32 anos no próximo dia 1° de maio. Nestas mais de três décadas, surgiram gerações que não tiveram a oportunidade de acompanhar o dia a dia da carreira do piloto brasileiro. Mas nem o tempo foi suficiente para apagar a imagem de Senna. A cada ano que passa, o legado do tricampeão mundial de Fórmula 1 se fortalece.

Imagine agora, em 2026, ver de perto o verdadeiro carro que Ayrton Senna pilotou e venceu pela primeira vez na Fórmula 1? Este e outros modelos guiados pelo brasileiro podem ser apreciados em um único lugar na Europa.

Na capital de Luxemburgo, uma exposição sobre o brasileiro tricampeão mundial na virada dos anos 80 para os 90 atrai olhares de fãs da Fórmula 1. O novíssimo centro de convenções Gridx organiza a “Ayrton Senna Forever”, uma homenagem imersiva que reúne carros de competição e itens usados pela lenda brasileira em sua carreira.

“Nós trabalhamos com exposições temáticas e esta é a nossa primeira, que começou aqui no ano passado no nosso museu”, explica o gerente da galeria 610 da Gridx, Alex Jacoby. “Queríamos começar com algo muito grande, muito especial. E o Ayrton Senna é uma lenda e muita gente adora o Senna. Então, era algo que queríamos fazer. E é uma grande honra ter esta exposição conosco agora”.

Máquinas voadoras – Cinco modelos de Fórmula 1 chamam a atenção de quem visita a mostra. Todos esses carros foram marcantes na trajetória do brasileiro, que disputou 11 temporadas na Fórmula 1 e foi contemporâneo de Niki Lauda, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Mika Hakkinen, Michael Schumacher e Alain Prost.

Duas das três Lotus que Senna guiou na carreira estão em exposição – A vedete é a Lotus-Renault 97T, carro nas cores preta e dourada que ajudou Senna a alcançar sua primeira vitória na F1, conquistada no GP de Portugal de 1985 disputado debaixo de um temporal.

A outra Lotus é o modelo 99T, da temporada de 1987. Naquele ano, o piloto brasileiro usou motores Honda e conquistou a primeira de suas seis vitórias no GP de Mônaco. O triunfo nas ruas do Principado foi o primeiro de um carro equipado com suspensão ativa, tecnologia que ficou mundialmente conhecida em 1992, ano em que os carros da equipe Williams dominaram a categoria.

“Temos todos os carros lendários dele, como a Lotus 99T e a 97T. Temos, também, a McLaren MP4/6 e um de seus últimos carros: a Williams FW16”, detalhou Jacoby.

O modelo da Williams, que não é o carro que sofreu o acidente na Tamburello, foi pilotado pelo brasileiro em 1994. Este F1 está em um pedestal ao lado de uma barra de direção fabricada pela Williams, peça similar àquela que causou o acidente do brasileiro no GP de San Marino daquele ano.

A McLaren, segundo o gerente da galeria 610 da Gridx, é o único carro do salão que não foi pilotado pelo tricampeão.

“Todos os carros que estão aqui são originais, exceto o MP4/6, que acabou sendo vendido e, por isso, não podíamos mais ficar com o carro. Mas todos os outros que estão aqui são os que foram pilotados por ele.”

A McLaren-Honda exposta na “Ayrton Senna Forever” é o modelo que foi para as pistas na temporada de 1991, ano em que Ayrton conquistou seu terceiro título mundial de Fórmula 1 por esta escuderia inglesa; antes, ele foi campeão em 1988 e 1990. O carro que está neste salão é original da equipe britânica, mas foi adesivado para ficar com a identidade visual que o brasileiro usou naquela temporada, como o número um no bico e no aerofólio traseiro, e o nome de Senna com a bandeira do Brasil no santantônio.

Além dos três telões que exibem continuamente imagens de momentos que construíram o mito Ayrton Senna, a mostra resgata grande parte da carreira do piloto brasileiro na Europa, inclusive seus primeiros anos antes de entrar na Fórmula 1. O Fórmula Ford 2000, com o qual Senna foi campeão britânico e inglês em 1982, é uma das raridades que estão no local.

Outra curiosidade é um carro menos badalado pelos fãs do brasileiro: o Toleman-Hart TG184 que Senna guiou no ano de sua estreia na Fórmula 1, em 1984. Jacoby lembra que esse foi um dos seus primeiros carros de Fórmula 1. “Temos exatamente aqui aquele carro, aquele chassi que competiu em Mônaco”, detalha.

Aquela corrida nas ruas encharcadas de Monte Carlo foi inesquecível para a torcida brasileira, que até hoje aposta que Senna seria o vencedor, caso a prova não tivesse sido interrompida antes da metade. Além do segundo lugar no GP de Mônaco, Senna conquistou outros dois pódios com a Toleman naquele ano: um terceiro lugar na Inglaterra e outra terceira colocação em Portugal.

Além dos carros de Fórmula 1 e de outras categorias, é possível admirar objetos que foram usados pelo tricampeão mundial, como bonés, balaclavas – aquelas máscaras que os pilotos usam sob o capacete para se proteger do fogo, em caso de incêndios -, luvas, sapatilhas e capacetes de diferentes anos.

Há também um espaço com macacões de diversas temporadas e algumas raridades, como o usado por Senna no campeonato mundial de kart de 1979, quando ele foi vice-campeão. Outra curiosidade é o modelo vestido pelo piloto em testes particulares da Lotus no Estoril, em Portugal, em 1987.

“Esta exposição mostra capacetes e motores de kart que ele usou. O motor Lamborghini que ele testou com uma McLaren também está no nosso museu. Além disso, temos um monte de coisas interessantes, como um relógio TAG Heuer que ele esqueceu uma vez num hotel na Itália”, revelou.

Apesar de ter competido na temporada de 1993 com a McLaren-Ford, o brasileiro fez uma sessão de testes com o modelo da equipe equipado com motor Lamborghini, em setembro daquele ano, no autódromo do Estoril, em Portugal.

O relógio foi esquecido em 1991 por Ayrton num hotel na cidade de Castel San Pietro Terme, onde ele se hospedava nas semanas do Grande Prêmio de San Marino, na região da Emília-Romagna, na Itália.

“Para mim, o Senna é lendário. A tragédia que aconteceu com ele, de certa forma, foi muito importante para o desenvolvimento da segurança da Fórmula 1. Depois do acidente dele, muita coisa mudou para tornar a F1 mais segura, dando maior atenção à segurança dos pilotos”, explicou.

Para poder visitar a “Ayrton Senna Forever”, é preciso correr. A exposição está na reta final e próxima da bandeira quadriculada. A mostra dos carros e objetos que ajudaram Ayrton Senna a lapidar sua genialidade vai acabar no próximo dia 10 de maio.

A exposição “Ayrton Senna Forever” é um mergulho na carreira do brasileiro, que hoje, mais de 30 anos depois de sua morte, continua a inspirar pilotos e fãs não só no Brasil, mas em todo planeta.

Fonte: Terra/RFI

Mais popular