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Petrobras perde R$ 32 bilhões em 24 horas após resultado abaixo do esperado

As ações da Petrobras registraram forte queda nessa sexta-feira (8), um dia após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025.

A reação negativa dos investidores foi motivada principalmente pelo anúncio de dividendos de R$ 8,66 bilhões — valor considerado aquém das expectativas — e pela decisão da companhia de voltar ao setor de distribuição, seis anos depois da venda da BR Distribuidora.

Os papéis ordinários (ON) recuaram 7,95%, enquanto os preferenciais (PN) caíram 6,15%, impactando diretamente o Ibovespa, que fechou em baixa de 0,45%, aos 135,9 mil pontos. Sem o peso da Petrobras, o índice teria subido 0,39%.

Em apenas um dia, a estatal perdeu R$ 32 bilhões em valor de mercado, a maior desvalorização desde 15 de maio de 2024, quando o então CEO Jean Paul Prates renunciou. O valor de mercado caiu de R$ 442,1 bilhões para R$ 410,2 bilhões, o menor nível desde junho.

Nos Estados Unidos, os ADRs da estatal também recuaram: -7,34% para os papéis ON e -6,42% para os PN.

Outra decisão que provocou insatisfação no mercado foi a aprovação, pelo conselho de administração, do retorno às operações de refino, transporte e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha. A estatal informou que pretende ampliar a distribuição de GLP, integrar esse segmento às demais operações e oferecer soluções de baixo carbono.

Apesar do lucro líquido de R$ 26,6 bilhões no trimestre — revertendo o prejuízo de R$ 2,6 bilhões do mesmo período de 2024 — e do EBITDA de R$ 52,2 bilhões (alta de 5,1% em relação ao ano anterior), o anúncio estratégico não convenceu investidores.

A presidente Magda Chambriard defendeu a mudança, afirmando que a Petrobras “nasceu integrada do poço ao posto” e que a meta é aproveitar sinergias. “Diante de um produto que vai ter uma produção crescente, e se for um bom negócio para a companhia com uma atratividade adequada, por que não exercer mais essa sinergia?”, questionou.

O diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, reforçou que o foco será a venda direta para grandes clientes, como a Vale e empresas do agronegócio.

Segundo o Estadão/Broadcast, o conselho avaliou que ainda não é o momento de discutir o retorno da estatal à operação de postos de combustível, já que a Petrobras está proibida de competir com a Vibra (ex-BR Distribuidora) até 2029.

Vendida em 2019 por R$ 9,6 bilhões, a BR era líder nacional, com cerca de 8 mil postos e direito de uso da marca Petrobras por dez anos. (Foto: EBC; Fonte: Itatiaia)

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