Política
Zé Maranhão compara crise de Dilma à de Getúlio e Jânio
“Só vejo um caminho para Dilma ter apoio das lideranças políticas que é a formação de um governo de coalizão. Não é nenhum demérito dizer que a presidente não tem a mesma liderança que Luiz Inácio Lula da Silva. Ele tinha facilidades na economia, que estava em ascenção, mas também tinha uma tremenda capacidade de liderança. Um torneiro mecânico que chega à presidência tem que ser um político genial. Ele, mesmo sendo um homem de poucas letras, exerceu a presidência com muita habilidade e fez até a sucessora, que fazia parte dos quadros técnicos e não dos quadros políticos. Isso só se faz quando se tem competência”, disse Maranhão.
O senador, que relatou o Projeto de Lei Complementar 28/15, de reajuste salarial dos servidores do Judiciário Federal, se ressentiu do veto da presidente à matéria: “Dilma não tem experiência política e disso resultam outras falhas. Por exemplo, um relacionamento precário com o Congresso, que deve ser o pior desses erros. É da essência da democracia a harmonia entre os poderes. Nas votações recentes, há uma prova disso. Sou relator de um processo que a presidente vetou, no âmbito de sua competência, mas se ela tivesse um relacionamento melhor, teria evitado a consequência que só tensionou mais a relação. Mas, eu não guardo ressentimento porque meu substitutivo foi vetado, mas se aquele projeto incomodou tanto, o governo federal teve a oportunidade de expressar seu pensamento a respeito na CCJ”, comentou sobre o texto que aumentava de 56% a 78% os salários dos servidores do Judiciário.
“A assessoria da presidente não ajuda a melhorar a crise”, avaliou Zé Maranhão.
Ainda que faça críticas à condução política do governo federal, Maranhão não acredita que a solução para o problema pudesse passar pela saída de Dilma Rousseff do poder: “Não sei se impeachment ou renúncia seriam a solução mágica que muitos esperam. Temo que a crise institucional se agrave com a renúncia ou impeachment. A solução, a meu ver, seria um governo de união nacional e um compromisso da Justiça para solucionar os casos de corrupção punindo os responsáveis com rapidez. Todos precisam trabalhar para uma solução: governo e oposição deveriam pensar no Brasil, na economia, no emprego e na organização de nosso país”.
A entrevista foi dada à Rádio CBN João Pessoa.