Manifestantes invadiram, na madrugada deste sábado (14), a sede do Partido Comunista de Cuba na cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila, a cerca de 460 quilômetros de Havana. A ação ocorreu em meio a protestos contra os apagões prolongados e a escassez de alimentos que afetam a população do país.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram dezenas de pessoas dentro do prédio do partido retirando documentos, computadores e móveis. Parte do material foi levado para a rua e incendiado diante da sede da organização política.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, cinco pessoas foram presas após o episódio, classificado pelas autoridades como ato de vandalismo. Relatos indicam que a manifestação começou de forma pacífica, mas acabou escalando para a depredação do edifício.
Além da sede do partido, alguns estabelecimentos estatais da região também sofreram danos durante os protestos. O episódio ocorre em meio a uma grave crise econômica e energética enfrentada pela ilha caribenha.
Nos últimos meses, moradores de várias cidades cubanas têm realizado protestos noturnos conhecidos como cacerolazos — quando a população bate panelas nas ruas ou nas janelas de casa — para demonstrar insatisfação com os cortes de energia e a falta de produtos básicos. Em algumas regiões, os apagões têm ultrapassado 15 horas diárias.
A crise energética se agravou após a interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano e o endurecimento das restrições energéticas impostas pelos Estados Unidos, o que reduziu drasticamente o combustível disponível para geração de eletricidade e transporte.
Diante do aumento da tensão social, o governo do presidente Miguel Díaz-Canel confirmou que iniciou conversas com Washington para buscar soluções diplomáticas para as divergências entre os dois países.
Do lado americano, o presidente Donald Trump tem defendido uma mudança de regime em Cuba, alegando preocupações com as relações da ilha com Rússia, China e Irã.
Fonte: O Globo