Política

Vice-presidente da Câmara diz que o presidente “cometeu crime de responsabilidade”

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), voltou a subir o tom contra o presidente Jair Bolsonaro e afirmou que o chefe do Executivo cometeu crime de responsabilidade no exercício do cargo.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o parlamentar reiterou que hoje faz oposição ao governo e deixou no ar a possibilidade de dar aval a pedidos de impeachment apresentados à Casa.

Indagado sobre as declarações de Bolsonaro sobre a necessidade do voto verificável para as eleições de 2022, Ramos afirmou que o presidente ameaça o processo eleitoral. “Isso inclusive, para mim, é das configurações mais claras de crime de responsabilidade. Porque o tipo penal que trata de eleição fala em ameaça. Então, ameaçar o processo eleitoral já é crime de responsabilidade”, disse.

“Tem duas questões importantes. A primeira questão é de natureza estritamente jurídica: se existem os fundamentos que caracterizam crime de responsabilidade. Essa é uma questão. A segunda questão tem natureza jurídica e política, que é se cabe no exercício provisório da presidência da Câmara acatar ou não um pedido de impeachment. Estou analisando as duas coisas”, prosseguiu Ramos.

Criticado por Bolsonaro, que atribuiu a ele a aprovação do “fundão” eleitoral de R$ 5,7 bilhões, Ramos disse que agora estará na “trincheira” contra o governo. “Poucos deputados colaboraram tanto com as pautas do governo como eu. Eu presidi a única pauta relevante que esse governo aprovou até agora, que foi a reforma da Previdência. Vocês sabem que em todos os momentos difíceis ali no plenário sou eu que me exponho para defender matérias muitas vezes impopulares. Sempre ajudei o governo”, afirmou.

“Agora, não posso continuar ajudando um presidente que me agride com uma mentira e que vai ultrapassando todos os limites da independência entre os Poderes. O presidente Bolsonaro está marchando sobre a Câmara. Pode ter gente na Câmara que está disposta a abrir caminho para ele passar nessa marcha. Eu estarei na trincheira.”

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