Preconceito e homofobia são práticas que ainda estão muito longe de acabar, mas a cidade de Pilar, a 52 km de João Pessoa, já demonstra sinais de avanço na aceitação da diversidade. Foi lá que, em 2012, quase 300 eleitores conduziram a travesti “Mãe Shirley” (PP) para uma das nove cadeiras na Câmara Municipal. E dois anos depois, foi a vez dos próprios vereadores a conduzirem para a presidência da Mesa Diretora da Casa.
Mãe Shirley nasceu com o nome de Geraldo Costa da Silva, tem 53 anos e é integrante do candomblé, superando também o preconceito religioso ao ser eleita. Registros do Sistema Correio de Comunicação especulam que deve ser o primeiro caso no estado e no Brasil em que uma casa legislativa ser presidida por uma travesti.
“Não escolho etiquetas. Todo mundo sabe da minha orientação sexual e religiosa, e não escondo de ninguém. Sou super bem resolvida, quanto a isso. Sou conhecida como Mãe Shirley devido a minha posição no candomblé”, avisou.
Mãe Shirley explicou que foi eleita para presidir a Mesa da Câmara após um acordo entre o PT e o PP, que integram a base aliada do governo municipal. “Houve um consenso entre os partidos, e meu nome foi colocado como favorito. Tive seis votos, contra uma abstenção, e dois contra”, resumiu.
Técnica de enfermagem, Shirley trabalha desde a adolescência prestando serviços nas comunidades carentes de Pilar. Trabalhou no único hospital de cidade, o que lhe rendeu o slogan na campanha eleitoral de “Saúde em primeiro lugar”.
Sobre os novos projetos, a travesti disse que vai continuar a defender a bandeira de combate à homofobia, melhoria nos serviços públicos em prol da população. “Vou fazer uma gestão democrática. Vamos fazer nosso papel de fiscalizar o dinheiro público e lutar e votar projetos que beneficiem a população. O combate à homofobia e a inclusão do ensino religioso nas escolas municipais serão alguns dos nossos projetos futuros”, adiantou Mãe Shirley.
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