Política
Veneziano Vital revela dúvidas sobre aprovação do impeachment de Dilma e faz alerta: “Não são favas contadas”
Para ele, alguns parlamentares no Senado sinalizaram que podem mudar de posicionamento quando da votação final, o que deve mudar completamente e cenário político do país mais uma vez
Mesmo tendo votado favorável pela admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), na Câmara dos Deputados, o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo, do PMDB da Paraíba, disse, nesta quarta-feira (15), que ainda tem dúvidas sobre a condenação da petista pelo Senado Federal e a manutenção ou não do presidente Michel Temer (PMDB) no comando da República.
Para ele, alguns parlamentares no Senado sinalizaram que podem mudar de posicionamento quando da votação final, o que deve mudar completamente e cenário político do país mais uma vez.
“A minha impressão é de dúvidas. Eu tenho minhas dúvidas. Devido a fatos que estão ocorrendo e que traduzem a ansiedade. Quando alguns companheiros falavam que os 55 votos por si já demostravam claramente um resultado consumado, eu, com um pouco da minha vivência, vivendo o dia dia da política, chamei a atenção de alguns companheiros a dizer – Olha, a gente ter que ter muito cuidado, porque no dia da votação do Senado eu observei três ou quatro senadores mencionando da seguinte forma: Nós estamos aqui votando pela admissibilidade, não significando dizer que meu posicionamento será já pela condenação da presidente Dilma”, destacou.
O peemedebista disse que observou essa postura no voto do senador Cristovão Buarque, no voto do senador do Distrito Federal, dentre outros. “Existem entre seis e sete votos que não tem, por forças das suas filiações, decisões já formadas. O voto deles foi pela admissibilidade, mas não significa que será o mesmo havido anteriormente. Por isso tenho minhas dúvidas. É preciso que esperemos todo o processo de instrução para termos a conclusão sobre a permanência ou não do presidente Temer”, alertou.
Fatos novos, conforme o parlamentar paraibano, podem corroborar com a tese.
“Todo e qualquer fato novo que aconteça, e não faltam fatos novos acontecendo em Brasília, pode gerar algum tipo de abalo sísmicos. Alguns em proporções maiores, outros em proporções menores. Semana passada, estávamos diante de um fato bastante considerável. O pedido da PGR pedindo as prisões de peemedebistas. Isso é de um ineditismo que as Repúblicas não assistiram. É por isso que eu digo que o impeachment de Dilma não são favas contadas”, disse. Apesar da análise, Veneziano deixou claro que não se arrepende de ter votado pró-impeachment e disse que se a votação fosse hoje adotaria o mesmo posicionamento.
“Não me arrependo de ter votado a favor da admissibilidade. Hoje votaria da mesma maneira. O meu posicionamento foi equilibrado, sem fazer algazarras, foi um momento delicado e ninguém em sã consciência deve se alegrar pelo fato de em uma república jovem como a nossa já termos vivenciado dois episódios dessa natureza. A minha posição foi no dia 17 e continuaria a ser no dia de hoje”, arrematou.
Nesta quarta-feira (15) a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) cumpre agenda na Paraíba, onde participa de uma audiência pública, à convite da Assembleia Legislativa da Paraíba, para debater a democracia no Brasil. Veneziano não confirmou presença no evento.
Márcia Dias
PB Agora