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Vendedor se acorrenta em praça pública para receber remédios caros da filha
Juiz determinou que a prefeitura de Uiraúna arque com os custos, mas os gestores dizem que não tem condição de pagar R$ 10 mil mensal
Um vendedor ambulante de 34 anos está acorrentado há 24 horas em uma praça pública cidade de Uiraúna, no Sertão do estado a 472 km de João Pessoa, cobrando a entrega dos medicamentos especiais por parte da prefeitura local, para filha de 3 anos, que é portadora de uma doença rara. Flávio Coelho também iniciou uma greve de fome.
Gigliola do Nascimento, esposa de Flávio e mãe da criança, disse que o juiz local determinou que a prefeitura arcasse com as despesas com os medicamentos e alimentação especial. Entretanto, o governo municipal está descumprindo a ordem judicial.
“Minha filha tem encefalopatia metabólica decorrente de acidúria glutárica tipo I – que é uma doença no metabolismo – além de alergia a proteína animal. Ela precisa de uma série de remédios caros para sobreviver, além de transporte semanal para realização de exames em Campina Grande. O juiz já determinou que a prefeitura arque com os custos, mas os gestores dizem que não tem condição de pagar R$ 10 mil mensal. Eles falam que é para o Governo do Estado ajudar”, disse a mãe.
Flávio disse que a filha está na última lata de um leite especial – que vem da Alemanha. “Antes que o alimento acabasse, eu resolvi agir logo e como não vi solução, a maneira foi fazer greve de fome e me acorrentar para chamar atenção das autoridades sobre o problema”, lamentou.
O problema de saúde da criança foi diagnóstico há um ano quando a menina começou a apresentar os primeiros sintomas. A família humilde sobrevive com o benefício do INSS de um salário mínimo. A mãe não trabalha e o pai é assalariado.
Em nota, a Prefeitura de Uiraúna informou que a maior parte das solicitações já está sendo atendidas. Alguns insumos que estavam sendo de difícil acesso devido a falta de dinheiro no Fundo Municipal de Saúde. O município solicitou que o Ministério Público oficiasse o Estado da Paraíba para fornecer o Botox, o Boton e o leite Oligomarc, já que as demais necessidades da criança estavam sendo atendidas. Porém, o Ministério Público entendeu que apenas o município deveria arcar sozinho com todas as despesas.
O governo municipal confirmou que a Secretaria Municipal de Saúde está fazendo o pedido do leite Oligomarc, que é o leite importado de valor mais alto, que falta na alimentação da criança. Além disso, está sendo providenciando os demais encaminhamentos para que o Estado libere o Botox.
G1