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Trecho da avenida Epitácio Pessoa vai ter faixas exclusivas para ônibus

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Faixa exclusiva – Os usuários do transporte coletivo da capital terão um justo alívio a partir de amanhã. É que um trecho da avenida Epitácio Pessoa, como já registrei aqui, vai ter faixas exclusivas para ônibus. O percurso ainda é modesto, mas já é uma mudança essencial para oferecer um serviço de maior qualidade ao usuário. A capital tem uma frota de ônibus considerada nova e, poucas vezes, ouviu-se em reportagens de TV, por exemplo, críticas à qualidade do veículo. No centro das reclamações, estão a espera pelo serviço e a oferta nos bairros mais periféricos. A aposta da prefeitura é que com a adoção de faixas como essa, os passageiros consigam chegar mais rápido ao destino, esperem menos por ônibus presos nos congestionamentos. Sem dúvida, pode acontecer.

Mas, além da sinalização vertical e horizontal, o que a Semob e as empresas de ônibus não podem esquecer é de fazer um trabalho educativo amplo e permanente. Não podem perder de vista que, sem um longo (longo, mesmo) processo educativo, a faixa não vai cumprir a sua função. Mais do que isso, será um perigo para todos. Faço questão de fazer esse registro porque já vi muitas medidas da gestão pública se perderem porque a população não foi educada, conscientizada e as ações foram empurradas goela abaixo.

Algumas lembranças devem ser feitas. Apesar da maior parte do percurso ser exclusivo para ônibus e bicicletas, há trechos, como nas entradas das ruas laterais, que são compartilhados. Se motoristas de ônibus e veículos de passeio não estiverem conscientes da necessidade de ceder o espaço, sinalizar, compartilhar, teremos um campo minado. É preciso reconhecer que somos altamente mal educados no trânsito. A maioria é autoritária, desatenta e se acha dona do espaço. Então, sem um intenso trabalho de conscientização, a faixa não cumprirá seu papel.

Motoristas de ônibus precisam ser “orientados” que a faixa exclusiva não é pista de corrida. Que não podem tirar o atraso andando feito trem-bala na pista livre. Há vários perigos iminentes se presenciarmos essa atitude, mas, um deles, me preocupa muito. É quando o “objeto” que estiver à frente for um ciclista. Como eles estarão na mesma faixa do ônibus, precisam ser orientados sobre o tamanho do seu espaço. Os motoristas, por sua vez, necessitam respeitar a presença das duas rodas e de sua velocidade. Como ciclista e amigo de alguns, já vi ônibus quase arrastando-os. No meu caso, sempre estive na parte que me cabe no latifúndio. Um cantinho de pouco mais de um metro do lado da pista.

Acho que devemos ficar feliz com a mudança estrutural da cidade. Com mais espaços exclusivos para ônibus. Mais espaços para bicicletas e possibilidades de integração. A cultura do transporte individual não pode imperar sobre a de modos alternativos, menos agressivos e poluentes, mais democráticos. Mas não creio que nada irá funcionar se o dinheiro não for gasto na mudança cultural, na educação. Inclusive de gente que, supostamente, deveria ser “educada”. Na prática, sonhamos com a civilização, mas não nos preocupamos sem ser civilizados, respeitando o espaço do outro. Comecemos!

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