Terras Raras
Terras raras: governo dos EUA tem reunião com mineradoras brasileiras
Representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos participaram de uma reunião virtual com mineradoras que operam no Brasil para aprofundar conversas sobre possíveis parcerias no setor de minerais críticos, especialmente as chamadas terras raras. A informação é da CNN Brasil.
O encontro também conta com a presença de integrantes da Amcham Brasil e do Citibank, que acompanham as discussões sobre o tema. Além das terras raras, os norte-americanos demonstraram interesse em outros minerais considerados estratégicos, como níquel e grafite.
Esses insumos são fundamentais para a produção de baterias de veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, ligas metálicas de alta resistência, equipamentos eletrônicos avançados e aplicações ligadas à indústria de defesa.
Citibank – Segundo reportagem da CNN, o Citibank tem se posicionado como potencial agente financeiro das futuras operações envolvendo o setor. Na prática, o banco poderia estruturar linhas de crédito, organizar financiamentos de longo prazo, coordenar garantias e facilitar a conexão entre mineradoras brasileiras, compradores industriais e instrumentos de financiamento nos Estados Unidos.
A presença da instituição financeira nas conversas indica um esforço para viabilizar projetos que exigem elevado volume de capital e horizonte de retorno mais longo, características comuns na cadeia de minerais críticos. O envolvimento do sistema financeiro é visto como essencial para transformar o interesse estratégico em investimentos concretos.
China – As negociações ocorrem em meio à prioridade do governo Donald Trump de diminuir a dependência dos Estados Unidos em relação aos minerais processados pela China. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam que cerca de 91% do refino global de terras raras está concentrado em empresas chinesas, que também dominam aproximadamente 94% da produção de ímãs permanentes usados em turbinas, motores e equipamentos de defesa.
Para Washington, essa concentração representa um risco geopolítico relevante. A IEA alerta que o domínio chinês permite a Pequim influenciar preços, controlar o acesso de países concorrentes e ditar o ritmo de avanço de tecnologias estratégicas, como semicondutores, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.
Presença americana – Embora ainda não exista um acordo formal entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, empresas e agências oficiais americanas já participam do financiamento de ao menos dois projetos de terras raras em território brasileiro. Um deles é conduzido pela Alclara Resources, mineradora que atua no país com foco no desenvolvimento de ativos desse tipo de mineral.
Outro destaque é a Serra Verde, uma das poucas produtoras comerciais de terras raras fora da China. A empresa opera em Goiás com base em argilas iônicas, modelo semelhante ao chinês e considerado menos agressivo do ponto de vista ambiental.
lém desses casos, o Export-Import Bank of the United States já emitiu uma carta de interesse para avaliar uma possível estrutura de financiamento ao Projeto Caldeira, da australiana Meteoric Resources, em Minas Gerais.
De olho no BR – Nesse contexto, o Brasil surge como peça-chave na estratégia americana. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas ainda produz e refina volumes muito reduzidos. A ausência de um marco regulatório específico e o estágio inicial da cadeia produtiva são entraves ao avanço do setor.
Mesmo assim, o potencial geológico brasileiro já atrai o interesse de empresas ocidentais, que iniciaram a aquisição de projetos e a realização de pesquisas e mapeamentos no país. Para os Estados Unidos, ampliar a presença no setor brasileiro pode representar um passo importante para diversificar o fornecimento global e reduzir vulnerabilidades estratégicas.
Foto: reprodução; Fonte: CNN