"Isso pode Arnaldo?"
Soraya Thronicke e vice de Simone Tebet indicaram R$ 114,4 milhões em emendas do “orçamento secreto”
A candidata do União Brasil à Presidência, Soraya Thronicke, foi beneficiada com R$ 95,2 milhões em emendas do orçamento secreto nos últimos três anos. Ela é senadora por Mato Grosso do Sul e foi aliada do presidente Jair Bolsonaro (PL) no início do mandato, mas rompeu com o governo e agora é adversária de Bolsonaro na disputa presidencial.
Além de Soraya, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), outra candidata na disputa presidencial, apadrinhou R$ 19,2 milhões em emendas secretas em 2020. Mara Gabrilli concorre ao cargo de vice-presidente na chapa de Simone Tebet (MDB). Simone tem classificado o orçamento secreto como o “maior esquema de corrupção do planeta” e declara não ter recebido nenhum valor. As três são as únicas parlamentares que disputam a presidência na eleição deste ano.
Presidente – “O orçamento é bastante restrito. O orçamento secreto foi criado em 2019 e eu vetei, o Congresso derrubou o veto, inclusive deputados do PT. Quem decide para onde vai esse dinheiro não sou eu, é o relator, e ele sofre as influências dentro do Parlamento. Nós apenas executamos, não temos qualquer controle sobre isso daí”.
No primeiro ano, Soraya indicou um total de R$ 7,9 milhões, conforme ofícios encaminhados pelo gabinete da senadora ao Supremo Tribunal Federal (STF), que exigiu transparência do processo. No ano seguinte, a quantia saltou para R$ 45,6 milhões. Em 2022, até agosto, ano de eleições, a candidata a presidente foi beneficiada com R$ 41,7 milhões para seus redutos eleitorais.
Os valores totalizam as emendas que Soraya admitiu ter indicado, após o STF obrigar o envio dos documentos. Nem todos os parlamentares informaram quanto receberam. No lado do Executivo, não há nenhuma transparência sobre os congressistas atendidos no momento do pagamento. A candidata indicou emendas para manutenção de unidades de saúde, recuperação de vias públicas e pavimentação asfáltica, recursos que geralmente têm alto apelo eleitoral nos Estados e municípios.
Em maio deste ano, após encaminhar os documentos ao STF, Soraya afirmou que as emendas não eram secretas. O argumento é pelo fato de ela ter divulgado os recursos que indicou. As emendas de relator, porém, envolvem valores maiores que as demais emendas parlamentares e não trazem os mesmos mecanismos de controle. O cidadão, por exemplo, teria que consultar milhares de páginas de documentos enviados ao Supremo para encontrar as emendas de autoria da senadora. Ainda assim, não sabe objetivamente se ela foi atendida pelo Executivo e quais foram os critérios para a escolha dos municípios.