Conflito com EUA

Marco Rubio acusa Lula de agir “sem boa-fé” nas negociações sobre tarifas com os EUA

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, usou as redes sociais na madrugada desta quinta-feira (16) para criticar e culpar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas tarifas aplicadas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. Segundo Rubio, Lula não negociou de “boa-fé”, alegando que as políticas econômicas do petista “são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”.

“Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu o secretário.

Today, President Trump directed USTR to impose a 25% tariff on most Brazilian imports. Let there be no confusion about why: President Lula and his government have not negotiated with the US in good faith.

His economic policies are bad for Americans and bad for Brazilians. For…— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) July 16, 2026

Nesta quarta-feira (15), os Estados Unidos confirmaram a decisão de taxar ao menos 4.000 produtos exportados pelo Brasil com tarifas que, somadas, podem chegar a 37,5%. A medida foi aplicada sob a justificativa de supostas práticas desleais do país em questões como comércio digital, trabalho forçado e desmatamento ilegal.

Os produtos brasileiros serão afetados por duas tarifas diferentes. A primeira, de 25%, está relacionada a supostas práticas desleais, envolvendo o Pix, o acesso a mercado e as barreiras regulatórias. A outra, de 12,5%, foi proposta por uma suposta falha do governo brasileiro no combate ao trabalho forçado.

Além de Rúbio, o perfil do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) no X (antigo Twitter) usou as redes para fazer críticas ao governo brasileiro.

O órgão fez mais de cinco publicações para criticar o Pix, a redução da importação do etanol norte-americano pelo Brasil, a falta de proteção adequada e eficaz de propriedade intelectual, além da falha no combate ao suborno e à corrupção.

“Tarifas injustas e preferenciais: o Brasil concede tratamento preferencial a mais de mil linhas tarifárias para o México e centenas de linhas tarifárias para a Índia, com alíquotas tarifárias entre 10% e 100% inferiores à taxa aplicada às exportações dos EUA nos mesmos setores”, afirmou.

Unfair, Preferential Tariffs: Brazil provides preferential treatment on over a thousand tariff lines for Mexico and hundreds of tariff lines for India at tariff rates between 10 and 100 percent lower than the rate that applies to U.S. exports in those same sectors. pic.twitter.com/TGpBMO96do— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 16, 2026

Atuação do governo brasileiro – O anúncio feito pelo governo de Donald Trump já era esperado pelo Planalto, que atuou, nas últimas semanas, para tentar reverter a aplicação das tarifas. Mais de 30 contatos com os norte-americanos foram realizados, entre presenciais, virtuais ou por telefone.

Na última semana, representantes da indústria e do agronegócio, além de adversários políticos de Lula, chegaram a participar da audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidospara tentar reverter a medida.

As conversas foram conduzidas desde o anúncio do tarifaço original, em abril de 2025, nos níveis presidencial, ministerial e técnico. Apenas com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e com Marco Rubio foram feitos 11 contatos.

Itamaraty contesta motivos

Fontes do Itamaraty ouvidas pelo portal contestaram o tarifaço e lembraram que ele começou com uma taxa de 10% — depois subiu para 50% por “expressa motivação política”. E, para evitar que a medida acabasse derrubada pela Justiça dos EUA, como de fato ocorreu, os Estados Unidos recorreram à Seção 301.

Inicialmente, a estratégia do governo era tentar ganhar tempo e evitar que a tensão comercial se transformasse em um impasse diplomático de maiores proporções, sobretudo em meio ao ambiente pré-eleitoral tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Em relação ao desmatamento, os interlocutores do Itamaraty lembraram que essa situação na Amazônia foi reduzida à metade, entre 2022 e 2025.

Esse e outros pontos — como os ataques ao Pix — foram elencados pelo governo federal em uma nota de posicionamento sobre o tema, divulgada horas após a confirmação do novo tarifaço, nessa quarta-feira (15).

No documento, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República repudiou a decisão da gestão Trump e destacou que vai iniciar os trâmites para a adoção da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos.

Fonte: R7 – Foto: Official State Department/ Freddie Everett

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