Política
“PT ignora machismo dependendo do agressor”, diz deputada Tabata Amaral
No início de outubro, numa típica quarta-feira parlamentar, dia mais intenso de atividades no Congresso, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) salta de um compromisso a outro, se dividindo entre reuniões internas com sua equipe, entrevista a uma rádio e atividades da Comissão de Educação da Câmara, da Comissão Externa sobre Violência Doméstica contra a Mulher e de um grupo de trabalho para prevenção de suicídios entre jovens.
No fim do dia, antes de descer ao plenário para as votações da noite, ela separa uma brecha na agenda para receber por quarenta minutos uma jovem estudante da Universidade de Brasília, aspirante à política, em seu gabinete — um espaço apertado com mobiliário em madeira antiquado e ar condicionado que mal funciona, típico do anexo IV da Câmara, cujo principal atrativo é a vista para a Praça dos Três Poderes.
O ataque – Num dos episódios recentes mais graves, no final de setembro, após a deputada defender em uma entrevista a necessidade de “furar a bolha da esquerda e da direita” e “chegar ao povo”, o ator José de Abreu compartilhou um tuíte de outro perfil que dizia querer socar a parlamentar. O caso gerou grande solidariedade à Tabata nas redes sociais, mas um retumbante silêncio de parte das lideranças da esquerda, inclusive deputadas feministas, assim como da cúpula do PT, partido ao qual o ator é filiado desde 2013.
Não só a sigla não repudiou sua atitude publicamente, como José de Abreu anunciou pouco depois que pretende se candidatar pelo PT à Câmara dos Deputados em 2022. Para Tabata, a postura do partido no episódio demonstra conivência com o ataque que sofreu. Ataque que a deputada classifica como crime de incitação à violência.
“Toda vez que alguém se silencia diante de um caso como esse, a pessoa é conivente com o que está acontecendo. Então, na hora que as principais lideranças do PT silenciam sobre o que ele fez e o apresentam como candidato à Câmara dos Deputados, o partido está mostrando que, na prática, não só não é comprometido contra o machismo, como despreza essa luta dependendo de quem é o alvo e dependendo de quem é o agressor”, criticou.
Terra – bbc