"Julgamento"

PT critica Fux por absolver Bolsonaro: ‘trai a democracia e justiça’

O voto do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), favorável à nulidade total do processo sobre a suposta ‘trama golpista’, provocou forte reação política nesta quarta-feira (10).

O perfil oficial do PT no X (antigo Twitter) acusou o magistrado de ser “contraditório” e de defender a “impunidade dos réus”, afirmando que sua posição teria como objetivo “livrar Bolsonaro, políticos e militares” investigados no caso.

Na publicação, o partido destacou: “É no mínimo, contraditório, pois, após julgar milhares de ações relacionadas aos golpistas do 8 de janeiro — que atacaram os Três Poderes — sem questionar a competência do foro, agora, no momento de julgar quem comandou o núcleo central do golpe, inclusive por trás dos atos de 8 de janeiro, ele alega que o STF não tem competência para avaliar o caso”. O texto também acusa o ministro de “trair a democracia, a justiça, as instituições brasileiras e o próprio Supremo”.

A crítica repercutiu imediatamente nas redes sociais. Apoiadores de esquerda impulsionaram a frase “Fux apoia golpista”, em contraponto à hashtag “Fux honra a toga”, promovida por bolsonaristas.

Parlamentares também reagiram. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) ressaltou a “contradição” de Fux, lembrando que, em março, ele votou pelo acolhimento da denúncia da PGR, reconhecendo a materialidade e autoria dos crimes, mas agora defendeu a anulação do processo desde a denúncia.

Chico Alencar (PSOL-RJ) ironizou ao recordar o lema “In Fux We Trust”, expressão popularizada durante a Lava Jato. Em tom sarcástico, escreveu: “Até o momento, Fux vai carimbando o passaporte para poder passar as férias na Disney e encontrar o Pateta”.

Outros parlamentares adotaram uma linha mais cautelosa. Maria do Rosário (PT-RS) destacou que divergências entre juízes são parte do processo democrático, mas lembrou que decisões colegiadas prevalecem “quando a verdade, o direito e os fatos se encontram com a Justiça”. Talíria Petrone (PSOL-RJ) também reforçou que “as instituições estão funcionando” e garantiu que “Bolsonaro será condenado com lisura e justiça, como manda a nossa Constituição”.

Já o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, subiu o tom e chamou o voto de Fux de “100% ilegal”, classificando o ministro como “capacho de Bolsonaro”.

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