O PSB convenceu o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa a se lançar pré-candidato à Presidência até 15 de maio. O principal argumento foi o de que, a partir desta data, pré-candidatos poderão arrecadar dinheiro para a campanha por meio de financiamento coletivo (“crowdfunding”), chamado de “vaquinha virtual”.
Barbosa se filiou ao PSB em 6 de abril, mas, embora sua pré-candidatura seja dada como certa nos bastidores, ele resistia a oficializá-la para evitar ataques. Segundo interlocutores no PSB, o ex-ministro queria esperar esfriarem discussões de temas polêmicos para não ter de se pronunciar sobre, por exemplo, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso na Lava Jato, que o indicou para o STF em 2002. “Conseguimos convencê-lo de que tem de ser antes do dia 15. Acredito que vai ser entre a última semana de abril e a primeira de maio”, afirmou o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG), um dos principais envolvidos na negociação com o ex-ministro.
Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovadas em dezembro estabelecem que partidos poderão arrecadar via crowdfunding antes da campanha. As doações de pessoas físicas poderão ser feitas por meio de cartão de crédito, cheque, boleto ou transferência bancária. Os recursos, porém, só poderão ser utilizados após o registro da candidatura. Caso o pré-candidato desista da disputa, o dinheiro tem de ser devolvido.
Em um primeiro passo para se aproximar da cúpula do PSB, Barbosa se reuniu nesta terça-feira, 17, com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara. Segundo aliados, o ex-presidente do Supremo estava no Recife para um compromisso particular e aproveitou para se encontrar com o governador.
Herdeiros de Eduardo Campos, morto em 2014, o grupo do PSB de Pernambuco é considerado um dos mais fortes da legenda. Nesta quinta-feira, 19, haverá um encontro maior para Barbosa ser apresentado aos demais integrantes da Executiva do PSB.
Câmara, que busca o apoio do PT para se reeleger em Pernambuco, era um dos que resistiam a lançar candidato próprio à Presidência. No entanto, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, tem afirmado que a resistência inicial ao nome de Barbosa foi superada internamente e que já existe um “consenso” sobre a candidatura do ex-ministro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.