Política
Promotora acusa juiz de baixar as calças; togado rebate
Elaine Cristina Alencar disse que a conduta do juiz vai de encontro aos deveres impostos aos servidores públicos em geral e dela não se eximem os membros da Magistratura. Para ela, o fato também se mostrou ofensivo aos demais presentes à reunião, sobretudo ao Ministério Público, enquanto instituição.
Ao comentar o episódio, o juiz Bartolomeu Filho negou que tenha faltado com o decoro e se disse estupefato com as acusações. Ele disse ter agido com inocência, mas fez questão de explicar todo o ocorrido para não gerar interpretações dúbias quanto à sua conduta. “Tenho porte de arma, porque sou juiz criminal, além disso tenho sofrido ameaças de morte. No estacionamento do fórum, deixamos as chaves dos carros com os flanelinhas, e obviamente não deixaria uma arma no interior do veículo para que incidentes pudessem vir a acontecer. Então, pus a pistola na cintura. Chegando à audiência, onde estavam apenas os juízes vogais e a promotora, sem outras pessoas, tirei a arma da cintura, porque ela incomoda, e adotei os procedimentos de segurança para colocá-la sobre a mesa porque a gaveta estava quebrada. Inclusive, informei que não havia bala na agulha. A audiência transcorreu normalmente e quando já estava concluída, começamos a conversar, informalmente. Era o que se pode chamar de “conversa de homem”. Os colegas perguntaram sobre aquela arma e falamos sobre outros modelos. Depois, falei sobre o acidente de moto que sofri há poucos dias e relatei que, apesar de ter muitas dores no braço e perna, que estavam inchados porque os ralei de encontro ao asfalto, preferi ir trabalhar porque não haveria substituto. E me empolguei no relato que fazia sobre os riscos de um acidente de moto e acabei mostrando os ferimentos que foram gerados na perna para dar a eles a dimensão das dores que estava sofrendo naquela hora. Jamais pensei que pudesse estar ofendendo a promotora. Se achasse isso, teria pedido desculpas na hora. Mas, ela não disse nada. Ela sorriu. Eu mostrei a foto de minha motocicleta. Ela disse que era bonita e eu argumentei que pensava em vender porque o veículo representava um risco à minha integridade. Assinamos a ata. Fomos embora. E no sábado eu fiquei sabendo do conteúdo do ofício pelas redes sociais”, disse Bartolomeu.
Ele se disse arrependido da “empolgação” ao fazer seu relato e constrangido com a repercussão do fato: “agi com absoluta inocência”.
Redação com ParlamentoPB