Operação Sem Desconto
Polícia Federal muda comando da investigação sobre Lulinha e oposição exige explicações
A Polícia Federal substituiu o delegado responsável pelos inquéritos da Operação Sem Desconto.
A investigação apura fraudes no INSS e motivou a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
Guilherme Figueiredo Silva chefiava a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e conduzia o caso desde que ele chegou ao STF, por conta do foro privilegiado de investigados.
De acordo com a PF, ele mesmo pediu a saída para retornar a Minas Gerais, seu estado natal.
A defesa de Lulinha afirmou que o presidente não interferiu na troca.
A corporação negou que tenha trocado a equipe
Em nota, a PF afirmou que a mudança foi apenas de coordenação.
Os inquéritos saíram da Coordenação-Geral de Polícia Fazendária e foram transferidos para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores, a CINQ.
A estrutura é voltada a operações sensíveis com tramitação no STF.
Mendonça pediu independência no trabalho da nova equipe – A nova chefia dos casos se reuniu na manhã desta sexta com André Mendonça. O ministro cobrou explicações pela troca e afirmou que não foi informado previamente da substituição.
De acordo com a Folha de São Paulo, pessoas que participaram da reunião afirmaram que o ministro pediu independência no trabalho da nova equipe, sem perseguições nem atrasos nas investigações.
Auxiliares de Mendonça também manifestaram preocupação com a sobrecarga da nova coordenação, que acumula também o caso do Banco Master.
A substituição provocou reação no Congresso – Após a troca na chefia, o deputado Sóstenes Cavalcante protocolou um requerimento para ouvir o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
“A troca ocorre em um momento extremamente sensível das investigações“.
O senador Carlos Viana, que presidiu a CPI do INSS, enviou ofício à PF questionando a motivação da mudança e pedindo garantias de que as linhas investigativas e as provas foram preservadas.
O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, também acionou a PGR para apurar a regularidade da troca.
Relembre as suspeitas sobre Lulinha – A Operação Sem Desconto apura um esquema bilionário de fraudes previdenciárias. Uma das linhas de investigação é o suposto elo entre Lulinha e Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A PF também apura uma possível triangulação de recursos e o uso de empresas de fachada no esquema.
Lulinha admite conhecer o suspeito e ter viajado com ele para Portugal, mas nega qualquer irregularidade.
Segundo ele, o conheceu por meio de uma amiga em comum, com intenção de tratar de negócios de cannabis medicinal. O filho do presidente não é considerado formalmente investigado pela PF, apesar da quebra de sigilo.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que o presidente Lula não interferiu na troca de comando.
Fonte: Brasil Paralelo – Foto: Divulgação