O início da 22ª rodada foi para lá de movimentado, sobrando muita emoção porém também uma dose cavalar de reclamação. Em quatro das oito partidas realizadas na quarta-feira, o apito final foi acompanhado de críticas contra as arbitragens, foco de revolta dos perdedores dos duelos Corinthians 2 x 0 Fluminense, Atlético-MG 0 x 1 Atlético-PR, Ponte Preta 1 x 2 Cruzeiro e Goiás 1 x 0 Palmeiras.
Na vitória do cada vez mais líder Timão em São Paulo, um gol anulado de Cícero quando o embate ainda marcava 1 a 0 para os corintianos foi motivo de indignação por parte dos tricolores. Já no encontro de Atléticos, em Belo Horizonte, a bronca foi dos alvinegros, inconformados com o pênalti que selou o triunfo do Furacão no Horto. Torcedores da Ponte, por sua vez, não se conformaram com uma penalidade máxima não marcada e um tento impugnado em Campinas, ambos com o centroavante Borges como protagonista. Finalmente no Serra Dourada, os palmeirenses chiaram muito contra o árbitro, que viu apenas bola na mão um lance entendido como pênalti pelos visitantes e ainda anulou o que seria o empate do Verdão.
Corinthians 2 x 0 Fluminense
10 minutos do 2º tempo – Scarpa bateu escanteio da canhota, Edson subiu mais que um contrário e desviou de cabeça para o miolo. Cícero veio de trás, dominou e, em posição legal, arrematou para a rede, sob as vistas de um impassível Wellington Paulista, este sim adiantado. O assistente Fabio Pereira invalidou a jogada (assinalando irregularidade do centroavante, que não participou da jogada, ou até mesmo do autor do gol).
– Posição legal do Cícero. Quem estava em posição irregular era o Wellington Paulista. O Cícero estava em posição absolutamente legal – enfatizou Renato Marsiglia, comentarista de arbitragem da Rede Globo.
Inconformado, o camisa 11 do Flu não disfarçou a bronca após o fim do jogo, considerando “grotesco” o equívoco da arbitragem.
– Isso não tem como ser erro normal. Foi um erro grotesco. Se você olhar o lance, não tem como errar. Se é um lance de milímetros ou centímetros, é diferente. Mas de três metros, é grotesco – sentenciou Cícero.
Utilizando sua conta no Twitter, o presidente Peter Siemsen falou em descrédito e propõe alteração na cúpula da Comissão de Arbitragem da CBF.
– É hora de uma mudança no comando da arbitragem brasileira. O que aconteceu no jogo é inaceitável. Uma sacanagem com o Fluminense. O campeonato perde a graça, e o futebol brasileiro fica desacreditado.
Atlético-MG 0 x 1 Atlético-PR
– Choque normal de jogo. Na minha opinião, não foi pênalti. Há o toque ali, é verdade, mas disputa por espaço. Choque normal de jogo – ressaltou o comentarista Bob Faria.
Transtornado, o ex-presidente do Galo, Alexandre Kalil, utilizou as redes sociais após o embate para “colocar a boca no trombone”, e os alvos foram o mandatário da Comissão de Arbitragem da CBF e o árbitro da partida.
– Sergio Correa, infelizmente você tem camisa. Marcelo de Lima Henrique, você é um vagabundo e ladrão – disparou o dirigente do Galo por intermédio de sua conta no Twitter.
Goiás 1 x 0 Palmeiras (três lances polêmicos)
Após a partida, o comentarista Caio Ribeiro destacou que “o Palmeiras teve um pênalti não marcado e um gol mal anulado”. O analista de arbitragem Leonardo Gaciba, no entanto, enfatizou em seguida que “foram dois pênaltis não marcados, um para o Palmeiras e outro para o Goiás”.
Sempre ponderado, o treinador palmeirense Marcelo Oliveira não quis polemizar, mas está certo de que se o tento não tivesse sido anulado, certamente a destino do embate teria sido outro.
– Evito às vezes falar (da arbitragem), mas a gente sente. O Lucas (Barrios) entrou no vestiário com a sensação de que não estava impedido, que tinha saído de trás. Acho que isso não é uma tendência, não podemos levar por esse lado. É mais uma questão de melhor preparação. Existem erros, assim como erramos também, mas muda o rumo do jogo. Se saísse com um gol na frente seria diferente. O Goiás, desesperado pelo resultado, abriria espaço.
Ponte Preta 1 x 2 Cruzeiro (dois lances polêmicos)
– Esse para mim é claro. Para mim, é pênalti – frisou o comentarista Renato Leal.
– O primeiro detalhe é saber quem cabeceou a bola. Se foi algum jogador da Ponte ou do Cruzeiro. Se foi do Cruzeiro, não dá nem para discutir, era legalíssima a condição do Borges – ressaltou Leal.
Os dois lances anotados contra a Ponte Preta causaram indignação nos lados do clube de Campinas. O gerente de futebol Gustavo Bueno não economizou nos adjetivos para criticar a conduta do trio de arbitragem.
– O que aconteceu foi uma palhaçada, a Ponte foi operada, foi um desrespeito com torcida, com jogadores, torcida e diretoria. O que aconteceu precisa ser analisado. A Ponte vai notificar a CBF. Hoje passou do ponto. O que ele fez foi uma piada. Desde o começo do jogo mostrou que estava mal intencionado. Pênalti foi clamoroso, o próprio zagueiro do Cruzeiro falou para o Borges que tinha sido pênalti. Esse árbitro não pode mais pisar no Moisés Lucarelli. O que ele fez aqui foi uma brincadeira.
Redação com Ge