Caso Master
PGR também não aceita a delação de Daniel Vorcaro
A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu, nessa segunda-feira (15), não aceitar a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A negativa acompanha uma posição semelhante já adotada pela Polícia Federal, que havia recusado, pela segunda vez, uma tentativa de negociação feita pelo ex-banqueiro na quinta-feira (11).
Segundo a avaliação da PGR, as informações trazidas por Vorcaro não apresentam elementos novos relevantes e se baseiam, em grande parte, em relatos sem comprovação, descritos pelos investigadores como “ouvi dizer que aconteceu”. Além disso, o órgão afirma que não houve um compromisso efetivo do investigado em relação à devolução de recursos.
Embora o Ministério Público Federal, sob comando do procurador-geral Paulo Gonet, tenha adotado uma postura mais cautelosa do que a Polícia Federal nas tratativas, também foram identificados problemas nas versões apresentadas pelo ex-banqueiro, especialmente a dificuldade de comprovar os relatos com documentos ou outras evidências.
Entre os pontos levantados pelos investigadores, está a necessidade de apresentação de registros internos do próprio banco para sustentar as declarações feitas durante as negociações. O Banco Central já havia decretado a liquidação do Banco Master em novembro do ano passado e nomeado um responsável oficial para conduzir o processo.
Ao longo das negociações, a equipe jurídica de Vorcaro apresentou duas propostas distintas de colaboração, tanto à PF quanto à PGR. A primeira foi recusada pela Polícia Federal em maio, sob o argumento de que as informações eram insuficientes para firmar um acordo. Mesmo assim, as conversas continuaram por iniciativa do Ministério Público.
Posteriormente, uma nova versão foi entregue no início do mês, no dia 1º, mas também acabou sendo considerada inadequada pelos investigadores. Tanto a PF quanto a PGR vinham pressionando por um eventual ressarcimento que poderia chegar a cerca de R$ 60 bilhões, valor relacionado a supostas fraudes no Banco Master, com prazo considerado curto pelas autoridades.
Apesar das recusas sucessivas, a possibilidade de acordo não está totalmente descartada. Pela legislação, novas propostas de colaboração ainda podem ser apresentadas a qualquer momento.
Vorcaro segue detido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, mas ainda pode ser transferido para uma unidade prisional federal caso não haja avanço em uma eventual negociação. A definição cabe ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.
Na mesma decisão em que rejeitou o acordo, a PGR também se posicionou sobre um pedido de prisão domiciliar feito pela defesa, lembrando que já há decisão do Supremo pela manutenção da prisão.
Para o procurador-geral, cabe ao STF avaliar o local mais adequado para o cumprimento da detenção, levando em conta o grau de risco atribuído ao investigado.
Fonte: Folha de SP – Foto: Reprodução