O Roubo dos Aposentados
PF suspeita que Lulinha tenha deixado Brasil para escapar de investigação sobre INSS
Um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal em dezembro levantou a suspeita de que Fábio Luís Lula da Silva, filho de Luiz Inácio Lula da Silva, tenha se mudado para a Espanha com o objetivo de evitar investigações relacionadas a desvios no INSS.
O documento, ao qual o Estadão teve acesso, foi apresentado como parte de um pedido de quebra de sigilo bancário autorizado pelo ministro André Mendonça.
No relatório, a PF afirma que Lulinha viajou ao exterior “sem previsão de volta”, o que, na avaliação dos investigadores, pode indicar tentativa de evasão.
A suspeita está relacionada à suposta ligação de Lulinha com um investigado conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador de um esquema bilionário de fraudes envolvendo aposentadorias.
“Do ponto de vista investigativo, asseveramos que Lulinha viajou para o exterior, sem previsão de volta, o que denota possível evasão do País”, diz o relatório.
A defesa do empresário apresentou nesta semana sua primeira manifestação formal e contestou a interpretação da PF. Segundo os advogados, a mudança para a Europa foi planejada previamente e não tem relação com as investigações.
A defesa reconheceu uma relação “esporádica e de natureza social” entre Lulinha e o investigado e afirmou que ele participou de uma viagem a Portugal em novembro de 2024.
No entanto, sustenta que o empresário desconhecia qualquer irregularidade e que as suspeitas sobre o esquema só vieram a público em abril de 2025, com a chamada Operação Sem Desconto.
Os investigadores também analisam um suposto projeto ligado à produção de canabidiol, que poderia ter sido utilizado para lavagem de dinheiro. A defesa afirma que a iniciativa não avançou e que Lulinha não recebeu recursos.
Outros elementos seguem sob apuração, como anotações apreendidas que indicariam encontros em Brasília e o depoimento de um ex-funcionário que mencionou pagamentos mensais ao empresário.
Segundo a investigação, no entanto, essas informações não foram confirmadas até o momento nas quebras de sigilo analisadas.
Fonte: Estadão