Notícias Internacionais

Pesquisa aponta virada conservadora da ‘Geração Z’ nos Estados Unidos

Um estudo recente da consultoria Morning Consult indica uma mudança relevante no posicionamento político da ‘Geração Z’ nos Estados Unidos.

De acordo com o relatório divulgado em junho de 2025, os jovens eleitores passaram a se identificar menos com o liberalismo e demonstram uma inclinação maior ao conservadorismo em comparação com anos anteriores.

O levantamento aponta que a coorte de eleitores mais jovens tem 12 pontos percentuais a menos de probabilidade de se identificar como liberal do que em 2016, em comparação com uma queda de 5 pontos percentuais na população em geral.

Nos Estados Unidos, vale lembrar, o termo “liberal” está tradicionalmente associado a posições de esquerda, diferentemente do uso mais comum no Brasil, onde a palavra costuma estar ligada à defesa de liberdade econômica, direitos individuais e liberdade de expressão.

Os dados mais recentes mostram uma distribuição mais equilibrada das preferências políticas entre os jovens entrevistados: 21% afirmaram não saber ou não ter opinião formada, 24% se disseram conservadores, 26% moderados e 30% liberais.

Em 2016, o cenário era distinto, com 42% se identificando como liberais, enquanto conservadores e moderados representavam, cada um, 18%, e os indecisos somavam 22%.

A mudança de perfil não é vista como totalmente inesperada por analistas. Uma análise eleitoral divulgada pela Fox News indicou que o então presidente Donald Trump venceu entre homens de 18 a 44 anos, sinalizando uma reconfiguração no comportamento político de parte do eleitorado jovem masculino.

O relatório da Morning Consult também chama atenção para divisões internas dentro da própria Geração Z, especialmente entre homens e mulheres, em temas culturais sensíveis.

Essa percepção é reforçada por análises externas. Em março, David Shor, chefe de ciência de dados da empresa de pesquisas eleitorais democrata Blue Rose Research, afirmou ao colunista Ezra Klein, do New York Times, durante um podcast, que a geração mais jovem pode estar passando por uma transformação profunda.

“O que mais me chocou nos últimos quatro anos foi que os jovens passaram de ser a geração mais progressista desde os Baby Boomers, e talvez até mais em alguns aspectos, para se tornarem potencialmente a geração mais conservadora que vimos em 50 ou 60 anos”, disse Shor.

Em declaração à Fox News Digital, o porta-voz da Turning Point USA, Andrew Kolvet, afirmou que os dados confirmam percepções já observadas em ambientes educacionais.

“Isso reflete tudo o que temos visto em campo nos últimos anos, visitando campi universitários e de escolas de ensino médio — os jovens estão se tornando mais conservadores e estão fazendo isso mais rápido do que qualquer outra faixa etária. Há também evidências de que, quanto mais jovem a geração, mais conservadora ela se torna.”

Kolvet também contestou a ideia de que essa mudança seja exclusivamente masculina. Segundo ele, “embora a disparidade política entre os gêneros seja real, com o grupo de eleitores mais jovens, aqueles em idade universitária de 18 a 21 anos, pesquisas recentes como a Pesquisa de Jovens de Yale mostram que não apenas os homens estão 19 pontos mais republicanos (R+19), mas as mulheres jovens estão 4 pontos mais republicanas (R+4)”.

Para o porta-voz, os números podem representar “um indicador antecipado do que está se configurando como o maior movimento geracional desde Woodstock”.

Foto: IA; Fonte: Fox News

Mais popular