Cotidiano
Pernambuco: Contorno urbano da BR 101; primeira recuperação em 42 anos
A recuperação dos 30,7 quilômetros do contorno urbano da BR-101, na Região Metropolitana do Recife (RMR), prevista para começar em setembro, pode ter uma efetividade mais curta do que a esperada se não contemplar necessidades globais da rodovia. A preocupação foi manifestada, na última terça-feira (25), em palestra no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PE), na Capital.
Técnicos defenderam a realização de estudos para evitar que os R$ 192 milhões estimados para o serviço não se percam poucos invernos depois, quando costumam surgir buracos na pista causados pela incidência de água aliada ao tráfego pesado. A obra será a primeira do tipo em 42 anos de existência daquele trecho da estrada.
O engenheiro civil Maurício Pina, professor das universidades Federal (UFPE) e Católica de Pernambuco (Unicap), participou da implantação da BR-101 na RMR, em 1975, estuda o assunto e, ontem, fez sete recomendações no evento do Crea.
A primeira foi relativa ao tipo de pavimento, se será asfáltico ou de concreto. “É preciso desenvolver um estudo nesse sentido, porque operações tapa-buraco são feitas periodicamente e, com um ou dois anos, está tudo quebrado de novo. O pavimento que está lá vem recebendo cargas pesadas e sofrendo problemas de drenagem há 42 anos. Não podia ser diferente do que estamos vendo. Queremos, agora, uma solução definitiva”, afirmou.
Já a segunda recomendação foi referente à recuperação do sistema de drenagem, que, ao longo do tempo, sofreu ocupações irregulares e acabou obstruído. Segundo Pina, há áreas em que a pista é mais baixa que o terreno à volta, possibilitando acúmulo de água e desgaste do asfalto.
Nesse caso, seria preciso elevar o nível do local de trânsito de veículos. Outras sugestões são melhorar a sinalização (placas e pintura da pista), definir um plano de conservação do trecho após a recuperação e restabelecer operações de pesagens sistemáticas para evitar que veículos com carga a mais que o permitido trafeguem pela rodovia. Ainda foi recomendada a resolução de problemas pontuais em áreas com alto índice de acidentes.
Por fim, o engenheiro defendeu a resolução de um impasse institucional.
“A rodovia é federal, mas o trecho urbano está sob responsabilidade do DER [Departamento de Estradas de Rodagem], por conta de um convênio com o Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes]. Mas o município [do Recife] também deveria intervir. A BR-101 virou uma avenida da Cidade. O que não pode é ser uma rodovia da qual ninguém cuida.”
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O gerente geral de Projetos da pasta, Luiz Alberto de Araújo, disse que a gestão recebeu bem as recomendações e garantiu que a obra será efetiva. “É algo esperado há muito tempo e que estará garantido pelo tempo de vida útil do pavimento, que é de dez anos. Qualquer falha que houver será corrigida pela empresa que executará o serviço. Há esse seguro. Estamos resguardados”, completou.