Polícia Civil da Paraíba apreendeu documentos relacionados a concursos públicos, atestados médicos, laudos periciais em branco e documentos relacionados a licitações públicas.
Pai e filha foram presos na manhã desta terça-feira (30) na Paraíba, durante a terceira fase da Operação Gabarito, que investiga um esquema de fraudes em concursos públicos. A ação em João Pessoa e Cabedelo foi deflagrada pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) da capital.
Nesta terceira fase, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nas duas cidades. Desde o começo da operação, 30 pessoas foram indiciadas e 29 foram presas, suspeitas de envolvimento no esquema de fraudes em concursos e vestibulares que aprovou mais de 500 pessoas e lucrou R$ 18 milhões, segundo a Polícia Civil.
Os mandados foram cumpridos nos bairros de Portal do Sol, Ponta de Seixas, Miramar, Valentina, Mangabeira e Centro de João Pessoa, além de um local em Cabedelo. Durante a operação desta terça-feira, foram apreendidos documentos relacionados a concursos públicos, atestados médicos, laudos periciais em branco e documentos relacionados a licitações públicas de Alagoas.
De acordo com o delegado Lucas Sá, titular da DDF, um aposentado de 72 anos e a filha dele, de 39 anos, foram presos em flagrante na casa de parentes de um dos investigados na operação, onde a polícia cumpria um mandado de busca e apreensão nesta terça.
“O homem estava com uma arma de fogo e munições e a filha dele se apresentou como advogada e tentou dificultar a ação policial. Descobrimos que ela não é advogada e que era apenas estudante de direito. O homem foi preso por posse irregular de arma de fogo e a filha dele por falsa identidade”, explicou o delegado.
“A terceira fase da operação tem como objetivo principal a análise do material apreendido e a identificação dos membros da organização criminosa que ainda estão em liberdade. Durante esta fase foram encontrados documentos importantes, como planilhas de valores de cargos públicos, o planejamento para o ano de 2017, com os concursos futuros que seriam fraudados, além de nomes de diversos candidatos e membros da organização”, explica Lucas Sá.
Ainda de acordo com o delegado, durante a análise, subiu para 100 o número de pessoas envolvidas diretamente com as fraudes, além de provas e indícios de que mais de mil pessoas teriam sido beneficiadas pelo esquema.
“Na quarta fase da operação, vamos aprofundar a investigação em cada concurso fraudado no estado da Paraíba e enviar cópia integral das provas encontradas a outras instituições para a instauração de investigações específicas nos outros estados”, completou.
A Operação Gabarito, da Polícia Civil da Paraíba, investiga um grupo suspeito de fraudar pelo menos 100 concursos públicos e vestibulares e lucrar pelo menos R$ 18 milhões com a aprovação de mais de mil pessoas. Segundo a polícia, as fraudes começaram em 2005.
Os suspeitos cobravam, em média, o valor correspondente a 10 vezes o salário inicial do cargo pleiteado. A venda do ‘kit completo de aprovação’ custava até R$ 150 mil. Em 12 anos, o valor acumulado pelo grupo com o esquema já passa de R$ 21 milhões, segundo Lucas Sá.
A primeira etapa aconteceu no dia da realização das provas do concurso do Ministério Público do Rio Grande do Norte, quando 19 pessoas foram presas em flagrante tentando fraudar o concurso com pontos eletrônicos. Outros seis suspeitos foram presos durante a segunda etapa da operação.
G1