Uma declaração feita durante uma missa no interior de Minas Gerais provocou forte repercussão nas redes sociais e levou a Diocese de Caratinga a se posicionar oficialmente.
Durante a homilia na Paróquia Santa Efigênia, localizada em Córrego Novo, o padre Flávio Ferreira Alves afirmou que fiéis que apoiam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) não deveriam receber a comunhão, um dos principais sacramentos da Igreja Católica.
Ao abordar o tema no altar, o sacerdote criticou diretamente o posicionamento político do parlamentar e fez um apelo aos presentes. “Tem católico concordando com ele”, disse. Em seguida, reforçou o tom da fala:
“Tem católico concordando com Nikolas. Vou falar uma coisa grave, se você concorda com o Nikolas, que não quer dar botijão de gás para o pobre, por favor, saia da igreja agora. Você não merece receber a eucaristia.”
Após o episódio, a Diocese de Caratinga divulgou uma nota pública para tratar do ocorrido. No comunicado, a instituição informou que o padre reconheceu ter feito as declarações “em um momento de forte emoção”.
A Diocese também destacou seu compromisso com o “livre exercício da democracia” e afirmou que serão adotadas providências para evitar que manifestações semelhantes voltem a acontecer no ambiente religioso.
A fala do padre teve como pano de fundo o voto de Nikolas Ferreira contra a Medida Provisória nº 1.313/2025, que modificou o funcionamento do antigo programa Gás dos Brasileiros. A iniciativa do governo petista criou o chamado Gás do Povo, que substitui o auxílio financeiro direto pela retirada do botijão em pontos credenciados.
O novo modelo foi aprovado pelo Congresso Nacional e prevê o encerramento do benefício até 2027. Em suas redes sociais, o deputado explicou os motivos que o levaram a votar contra a proposta do Palácio do Planalto, argumentando que a mudança limita a autonomia dos beneficiários.
“Antes, o auxílio caía direto na conta da mãe de família”, afirmou. “Ela decidia onde comprar. Agora, o Lula quer te obrigar a buscar seu gás em revendas credenciadas pelo governo, sem prazo claro de quanto tempo você terá esse benefício, sem autonomia, sem liberdade.”
Eis a íntegra da nota da Diocese de Caratinga:
“A Diocese de Caratinga, por meio de seu Bispo Diocesano e em comunhão com todo o clero, vem a público manifestar-se acerca do fato isolado ocorrido durante a celebração da Eucaristia na Paróquia Santa Efigênia, em Córrego Novo e Pingo D’água, envolvendo o Padre Flávio Ferreira Alves.
A Igreja Católica de nossa Diocese de Caratinga reafirma seu compromisso inabalável com o livre exercício da democracia e com o respeito à pluralidade de opiniões. O ambiente litúrgico deve ser, primordialmente, um espaço de acolhida, paz e oração, onde todos os fiéis se sintam integrados à comunhão com Cristo, independentemente de suas convicções políticas individuais.
Informamos que o Padre Flávio Ferreira Alves reconhece que sua fala, proferida em um momento de forte emoção, não condiz com as orientações pastorais da Igreja. O sacerdote expressa seu profundo arrependimento e pede perdão a toda a comunidade e aos fiéis que se sentiram ofendidos ou excluídos por suas palavras. A Igreja ensina que a Eucaristia é o sacramento da unidade e não deve ser utilizada como instrumento de divisão ou segregação.
Diante do ocorrido, a Diocese de Caratinga assume o compromisso de tomar as devidas providências necessárias para que episódios dessa natureza não voltem a ocorrer, preservando a sacralidade da Missa. Reiteramos a nossa responsabilidade com o diálogo aberto na comunidade para restaurar o clima de fraternidade e respeito mútuo.
A Diocese de Caratinga clama ao Espírito Santo que nos conduza pelo caminho da reconciliação e que a nossa fé seja sempre um elo que nos une no amor de Deus.”