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Pacificadores – Por André Aguiar

Nós Advogados, devemos ser antes de tudo promotores da paz, essa é nossa ação em primeiro plano, quando buscamos defender os interesses de nossos constituintes, a conciliação, a pacificação da lide.

Forjados nos palcos das batalhas jurídicas, sociais e políticas, os advogados são gestores e protagonistas no controle dos conflitos, por isso, para nós é mais fácil compreender os anseios de uma sociedade carente de justiça e de paz social.

A história da humanidade está repleta desses promotores da paz, não somente advogados, mas homens e mulheres que através de suas iniciativas contribuíram e contribuem para a paz.

Nesse norte, foi criado pelo Norueguês Alfred Nobel no ano de 1895, o Prêmio Nobel da Paz, que reconhece segundo aquele comitê, a pessoa que tenha feito o maior trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução dos exércitos permanentes e pela manutenção e promoção de congressos de paz, com ênfase apara aquelas pessoas que se destacaram e contribuíram na área de química, física, literatura, paz filosofia ou medicina.

O primeiro Prêmio Nobel da Paz foi concedido pela primeira vez, em 1901, ao francês Fréderic Passy (um dos fundadores da União Parlamentar) e ao suíço Henry Dunant, (fundador da Cruz Vermelha). Sendo a premiação mais recente laureou o Programa Alimentar Mundial a maior agência humanitária do mundo, em 2020.

Considerado muito controverso, o famoso Prêmio Nobel, por exemplo, – embora tenha sido indicado cinco vezes – nunca premiou o indiano Mahatma Gandi, um grande humanista e pacificador na minha humilde opinião.

A título de curiosidade de acordo com o Comitê Norueguês do Nobel, sua amizade com Berta Von Suttner, pacifista e mais tarde ganhadora do prêmio, influenciou profundamente sua decisão de incluir a paz como categoria.

Outra curiosidade é que o Nobel também foi fundamental para transformar a Bofors de uma produtora de ferro e aço em uma empresa de armamentos. 

Em minhas rápidas pesquisas verifiquei que o químico americano Linus Pauling laureado em 1962, é a única pessoa a ter vencido o Nobel duas vezes como único premiado, ele ganhara o Nobel de Química de 1954. Outro fato interessante é que aos 17 anos de idade, a paquistanesa Malala Yousafi, vencedora do Nobel da Paz de 2014, (militante dos direitos das crianças) é a pessoa mais jovem a receber tal distinção. 

Destaco, ”puxando para a minha sardinha” o Instituto de Direito Internacional (Bélgica) em 1904, por seus esforços como órgão não-oficial para formular os princípios gerais da ciência do direito internacional.
Ainda lembro o americano Theodore Roosevelt (1906), por sua mediação exitosa para o fim da guerra Russo Japonesa e por seu interesse em arbitragem tendo fornecido ao Tribunal Permanente de Arbitragem seu primeiro caso.

Lembro em 1911 Tobias Asser, que nasceu nos Países Baixos e era membro do Tribunal Permanente de Arbitragem, bem como o fundador das Conferências sobre Direito Internacional.

Importante citar o Comitê Internacional Nansen (Suíco) pelo seu trabalho para com os refugiados em 1938.

Com carinho e muita admiração, trago a lembrança a indiana e Católica Madre Teresa Calcutá, que recebeu o prêmio em 1979, em reconhecimento pelo seu maravilho trabalho voluntário na Missão como Fundadora das Irmãs da Caridade.

Distantes dos prêmios e láureas humanas desde os tempos de Pedro, o primeiro Papa, até os dias atuais, o Papa sempre foi, na Igreja e no mundo, um construtor da paz, ensinando-nos a construir pontes a acolher os mais necessitados e a testemunhar o perdão sem reservas. 

Têm-se no testemunho de alguns Papas, digo aqui na história recente, luzes que fortalecem a humanidade, basta observar que desde 1968 na pessoa de Paulo VI nos convidou a rezar e refletir, no primeiro dia do ano, sobre a Jornada Mundial da Paz. Foi Em dezembro de 1967, durante um discurso por ocasião da solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria (8 de dezembro), que Paulo VI propôs que a sociedade, não apenas a Igreja, dedicasse o primeiro dia do ano para festejar e promover a Paz . Disse ele certa vez uma célebre frase que gosto de repetir: Desenvolvimento é o novo nome da paz.

Dizia o Santo Paulo VI, fazendo referência ao seu predecessor João XXIII e à sua carta encíclica Pacem in terris, de 1963: “É preciso ensinar o mundo a amar a Paz, a construí-la e a defendê-la e, contra as premissas de guerra que continuamente renascem e contra as insídias dum pacifismo táctico, que narcotiza o adversário que se pretende abater; ou faz gradualmente desaparecer nos espíritos o sentido da justiça, do dever e do sacrifício, é preciso despertar, nos homens do nosso tempo e das gerações vindouras, o sentido e o amor da Paz, fundada na verdade, na justiça, na liberdade e no amor”.

Não podemos esquecer do Peregrino da Paz que foi o Papa João Paulo II, o Cardeal Woytila, de Cracóvia na Polônia. A muitíssimos países, povos e nações visitou e a todos fez ecoar as suas primeiras palavras na homilia do início do seu pontificado em outubro de 1978: “Abri as portas para o Senhor!”. E ele ainda reforçava: “Abri as portas, ou melhor, escancarai as portas para o Senhor. Não tenhais medo de Jesus Cristo”.

O Santo Padre que consagrou toda a sua vida e o seu pontificado a Santíssima Virgem, a Rainha da Paz (Totus Tuus), foi determinante para a queda dos regimes comunistas do leste europeu, começando pela própria Polônia, sua terra natal.

Com o Papa João Paulo II, nós registramos, em nossa memória histórica, a queda do Muro de Berlim que dividia a Alemanha. Por meio da oração e pelo alcance da fé, nós vislumbramos a obra pacificadora promovida por Karol Wojtyla de dar bons frutos na Terra Santa, nos Bálcãs, na África Central e no Iraque e, deste modo, aprendemos a suplicar ao Senhor: “A guerra, nunca mais ! ”.

Nos primeiros anos do século XXI, o Papa Bento XVI condenou com frequência, em suas catequeses e pronunciamentos, todos aqueles que semeiam a violência e a guerra no mundo, principalmente na África e no Oriente Médio, e não poupou esforços para nos ensinar que a missão da paz é dever de todos nós e deve ser realizada pelo exercício da caridade.

Como não poderia ser diferente o Papa Francisco viajou para o Iraque no último dia cinco de março e em um momento histórico e repleto de significados, saiu em missão numa viagem muito arriscada, não só pela pandemia, mas também pelo alto risco de atentado, que embora cercado por um forte esquema de segurança, coloca em risco a sua saúde física e de toda sua comitiva, na terra onde nasceu Abraão o nosso Pai da Fé.

Aquele Santo homem, testemunha nos dias atuais a sua coragem e transmite para todo o mundo uma mensagem de paz e reconciliação, notadamente num país que está confinado pela pandemia e foi afetado por anos de violência.

Em Bagdá, ele não se fez de rogado e defendeu a luta contra a corrupção e os abusos de poder, e pediu o fim da “violência”, dos “extremismos” e “intolerâncias”. Disse ele:

“É preciso construir justiça, fazer crescer a honestidade, a transparência e fortalecer as instituições”, disse ele.

Jorge Mario Bergoglio, ainda criticou as “atrocidades sem sentido” cometidas pelo grupo extremista Estado Islâmico em 2014 contra a minoria yazidi, onde milhares de mulheres foram transformadas em escravas sexuais.

“Não posso não recordar os yazidis, vítimas inocentes de atrocidades sem sentido e desumanas, perseguidos por causa de sua afiliação religiosa, cuja identidade e sobrevivência foram ameaçadas”, disse ele, em discurso às autoridades iraquianas.

A paz é o grande bem messiânico que Cristo Jesus – Ele que É O Shalom de Deus – concedeu aos Seus discípulos. Ele veio estabelecer a paz, nos ensinou a necessidade da paz e a concretizou por meio de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Por ser o Príncipe da Paz, no anúncio da Boa Nova da Salvação, Cristo deixou claro que são “bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. (Mt 5,9).

Por André Aguiar em 07 de março de 2021.

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