Operação Argos
Operação mira o maior líder do tráfico de drogas na Paraíba
A Polícia Civil da Paraíba deflagrou hoje a Operação Argos, considerada o golpe mais contundente contra o narcotráfico interestadual nos últimos anos, ao desarticular a organização criminosa liderada por Jamilton Alves Franco, o “Chocô”, preso na casa dele, em Hortolândia (SP) e apontado como o maior fornecedor de drogas do estado e de regiões estratégicas do Sertão pernambucano e cearense. A ofensiva resultou no cumprimento de 44 mandados de prisão, 45 de busca e apreensão e no bloqueio judicial de R$ 104,8 milhões em contas bancárias de 199 investigados.
De acordo com a nota divulgada pela Polícia Civil, a operação mobilizou mais de 400 policiais civis, com apoio do GAECO/MPPB, além de forças especializadas da Paraíba e de outros estados, como São Paulo, Bahia e Mato Grosso. As diligências ocorreram simultaneamente em 13 cidades: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras (PB); São Paulo, São Bernardo do Campo, Hortolândia (SP); Cândido Sales (BA) e Nova Santa Helena (MT).
Investigação começou em 2023 – As investigações começaram em meados de 2023, após uma sequência de apreensões recordes de drogas no território paraibano. O cruzamento de dados de inteligência apontou que as cargas pertenciam a um único proprietário: “Chocô”. A análise de celulares apreendidos e a quebra de sigilos bancários revelaram uma estrutura criminosa com forte poder financeiro e ramificações interestaduais.
Segundo a Polícia Civil, o líder da organização é natural de Cajazeiras, mas migrou para o estado de São Paulo ainda na juventude. Sua trajetória no crime não foi linear; dentro do sistema prisional paulista, Chocô ascendeu socialmente no submundo ao estabelecer conexões diretas com núcleo “Sintonia” do Primeiro Comando da Capital (PCC), o que lhe garantiu logística para se tornar um dos principais distribuidores de cocaína e maconha para o Nordeste.
Sua ascensão financeira foi meteórica: o paraibano, que outrora era um criminoso comum, passou a ostentar uma vida nababesca, com viagens luxuosas, veículos esportivos de alto padrão e uma rede de imóveis de luxo, tudo financiado pela dependência química de milhares de paraibanos.
Prejuízo superior a R$ 100 milhões – A cronologia das apreensões vinculadas à investigação aponta prejuízo superior a R$ 100 milhões para a organização criminosa. Entre os casos destacados estão:
150 kg de cocaína apreendidos em maio de 2023, em Patos (prejuízo estimado em R$ 27 milhões);
400 kg de drogas em junho de 2023, em Cajazeiras (R$ 6,8 milhões);
1 tonelada de entorpecentes em outubro de 2023, em Conceição (R$ 46 milhões);
80 kg de cocaína pura em fevereiro de 2025, em São José de Piranhas (R$ 10 milhões).
Resumo das Medidas Judiciais:
• 44 Mandados de Prisão Preventiva (32 na PB, 10 em SP, 1 na BA, 1 no MT).
• 45 Mandados de Busca e Apreensão.
• Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias de 199 alvos.
• Sequestro de 13 Imóveis de luxo.
• Sequestro de 40 Veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte, avaliados em mais de R$ 10 milhões.
Lavagem de dinheiro e infiltração em contratos públicos – A Polícia Civil identificou que a organização operava como uma “holding do crime”, estruturada em núcleos de transporte, varejo e financeiro. O esquema de lavagem teria movimentado cerca de R$ 500 milhões desde 2023, com utilização de empresas de fachada e interpostas pessoas para ocultação de recursos.
Entre os investigados estão uma ex-bancária, apontada como responsável por movimentar mais de R$ 15 milhões por meio de holding familiar, e uma médica que teria recebido R$ 10,9 milhões em 29 meses para atuar como intermediária financeira.
Operadores de Destaque na Lavagem – Giovanna Parafatti: Ex-bancária com profundo conhecimento do sistema financeiro. Movimentou mais de R$ 15 milhões através de uma holding familiar e da empresa de fachada G Parafatti S Administrativos. Utilizava familiares para pulverizar recursos e adquirir veículos esportivos para a cúpula da ORCRIM.
• Naiara Batistelo: Médica formada na Bolívia e atuante no Mato Grosso. Atuava como um “hub” de liquidez na fronteira, recebendo mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses. A suspeita é que seu histórico acadêmico na Bolívia facilitou sua cooptação como “laranja financeira” no comércio transfronteiriço de cocaína.
A investigação também revelou tentativa de infiltração em licitações públicas, com empresas que receberam empenhos milionários sem estrutura operacional compatível, supostamente para irrigar o tráfico de drogas.
Sequestro de bens e neutralização da estrutura – Além do bloqueio de mais de R$ 104 milhões, a Justiça determinou o sequestro de 13 imóveis de luxo e 40 veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte, avaliados em mais de R$ 10 milhões.
Para a Polícia Civil, a Operação Argos neutraliza o “tripé” que sustentava a organização: logística, varejo e capital. O nome da operação faz referência ao gigante mitológico Argos Panoptes, símbolo de vigilância permanente, refletindo a atuação estratégica e contínua das forças de segurança no combate ao crime organizado.