Parece ser apenas a ponta do iceberg, mas o suficiente para identificar um dos maiores esquemas de corrupção, senão o maior, já visto na Paraíba. Seja pela sofisticação das operações de propina, seja pelo volume de dinheiro envolvido. É o que traduzem revelações de Leandro Nunes Azevedo, em documento do desembargador Ricardo Vital, na sentença que determinou sua soltura no último dia 1º de março, e vazou na Internet.
É devastador o que Leandro, ex-assessor e braço direito da secretária Livânia Farias (Administração), confessa para o Gaeco (Grupo Atuação Especial Contra o Crime Organizado). Ao confirmar ter recebido , no hotel do Rio de Janeiro, “aquela” caixa de dinheiro de Michele Cardozo, secretária particular de Daniel Gomes da Silva (chefe da organização criminosa), Leandro revelou que havia nela… R$ 900 mil.
A ironia: Leandro se diz surpreso, porque esperava ter “apenas” R$ 700 mil na caixa. Tinha R$ 900 mil. Uma generosidade. E mais: que o dinheiro foi utilizado para financiar a campanha do então candidato João Azevedo, num esquema que envolveu, não apenas caixa 2, mas, especialmente, utilização da propina. Foram pagos, segundo ele, vários fornecedores da campanha ainda no Rio de Janeiro.
Ainda de acordo com Leandro, após combinar com Livânia, foram pagos os fornecedores Zé Nilson (Adesivos Torres), Weber (Plastifort), Henrique (Prática Etiquetas) e Júnior (carro de som). Para alguns deles, o pagamento foi feito em dinheiro e pessoalmente, e até com um bônus (afinal veio dinheiro a mais…). Para outros, depósito bancário realizado numa agência de shopping.
Ainda no depoimento, Leandro confirma ter comprado um celular um dia antes da “operação”, utilizado o aparelho para realizar as ligações estratégicas, e depois descartado numa lata de lixo, supostamente para não deixar pistas. Tudo em comum acordo com Livânia, o que mostra de fato a sofisticação da operação. Uma obra prima. Uma operação típica da máfia, a julgar como verdadeiras as revelações de Leandro.
CONFIRA TRECHO DO DEPOIMENTO DE LEANDRO…

A secretária Livânia Farias – Quem se surpreendeu com as declarações de Leandro Nunes Azevedo, ex-assessor e braço direito da secretária Livânia Farias (Administração) ao Gaeco (Grupo Atuação Especial Contra o Crime Organizado), revelando que o dinheiro da propina da Cruz Vermelha gaúcha irrigou a campanha eleitoral de João Azevedo, deve ter ficado ainda mais impressionado com outras picantes inconfidências…
Entre outras, Leandro revela que Livânia teria adquirido de um empresário conhecido como Waltão e com dinheiro da propina, um imóvel em Sousa, no valor de R$ 400 mil, pago em duas parcelas de R$ 200 mil, em dinheiro vivo. Livânia teria usado na operação Aparecida Estrela. E também confirmou que ele próprio adquiriu imóvel no condomínio Bosque de Intermares, usando o nome de sua mãe.
As revelações constam de uma sentença do desembargador Ricardo Vital, relator do processo, determinando a soltura de Leandro, que vazou na Internet, na manhã deste sábado (dia 9).

Sentença – Em sua decisão para liberação de Leandro, em 1º de março, o desembargador Ricardo Vital destacou que atendeu a uma solicitação do Ministério Público, uma vez que o ex-assessor, após seus depoimentos, reunia as condições para ser solto, desde que cumprida algumas exigências cautelares. Falam nos bastidores que Leandro teria deposto por mais de dez horas e explicitado toda a malha criminosa. Com nomes e detalhes.
Dentre as medidas constam proibição de acesso às repartições do Governo do Estado da Paraíba, Proibição de manter contato com testemunhas e outros Investigados da “Operação Calvário”, Proibição de se deslocar a locais com distância superior a 200km da Comarca de João Pessoa, Proibição do exercício de funções públicas e monitoramento pelo uso de tornozeleira eletrônica.
IMÓVEL SUPOSTAMENTE ADQUIRIDO POR LIVÂNIA EM SOUSA…

IMÓVEL ADQUIRIDO POR LEANDRO EM INTERMARES


A secretária Livânia Farias (Administração) emitiu nota, na tarde deste sábado (dia 9), através de seus advogados, rebatendo declarações do seu ex-assessor Leandro Nunes Azevedo ao Gaeco (Grupo Atuação Especial Contra o Crime Organizado). Leandro, como se sabe, relatou que Livânia comandou a operação em que ele foi flagrado num hotel do Rio de Janeiro, recebendo R$ 900 mil, supostamente de propina.
NOTA
CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA DE LIVÂNIA…
Acerca de informações divulgadas pela imprensa no dia de hoje (9), a defesa de Livânia Maria da Silva Farias vem a público esclarecer o seguinte:
- Até o presente momento não teve acesso ao depoimento prestado pelo Sr. Leandro Nunes Azevedo, no qual teriam sido feitas infundadas e caluniosas acusações contra a pessoa Livânia, o que lhe causa surpresa e indignação.
- Já foi solicitado ao Poder Judiciário acesso ao conteúdo do depoimento que vem sendo divulgado.
- Que repudia, com absoluta veemência, a leviana insinuação de que um modesto imóvel, localizado na cidade de Sousa, tenha sido adquirido por Livânia com recursos de origem ilícita.
- Por fim, ressalta que está – e sempre esteve – à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Solon Benevides e Sheyner Asfora
Com Blog de Helder Moura

