Escândalo Financeiro

O ‘pedido’ de Alcolumbre a Lula antes da rejeição de Jorge Messias para o STF

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Nos bastidores de Brasília, a histórica derrota do governo Lula na tentativa de emplacar Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal passou a ser vista não apenas como um revés político, mas também como parte de uma disputa mais ampla envolvendo investigações sensíveis que avançam sobre nomes influentes do Congresso Nacional.

Duas semanas antes da votação no Senado que rejeitou a indicação de Messias ao STF, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, teria procurado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para demonstrar preocupação com o avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal. A informação é da jornalista Malu Gasper, que revelou o contrato do escritório da esposa de Moraes com o Master.

De acordo com Malu, a conversa ocorreu durante a posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, responsável pela articulação política do governo.

Na ocasião, Alcolumbre teria afirmado a Lula que vinha sendo alvo de ‘perseguição’ por parte da PF e pedido ajuda para se proteger do que chamou de “injustiças”. Entre as maiores preocupações do senador estaria a delação do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

De acordo com interlocutores, Alcolumbre teria alertado o petista de que a colaboração de Vorcaro conteria “muitas mentiras” a seu respeito e “pediu ao presidente que o ajudasse a se blindar do que chamou de “injustiças””.

Ainda segundo os relatos, Lula respondeu que não teria controle sobre investigações conduzidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal ou pelo Supremo Tribunal Federal. O presidente também teria citado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmando que ele atuaria com responsabilidade para evitar abusos.

Dias depois da conversa, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF em uma derrota considerada histórica para o Palácio do Planalto. Integrantes próximos a Lula passaram a interpretar o movimento como uma possível reação política de Alcolumbre diante da falta de apoio em relação às investigações.

Nos bastidores do governo, a avaliação era de que o presidente do Senado acompanhava de perto não apenas os desdobramentos da delação de Vorcaro, mas também outros inquéritos sensíveis, como o caso dos descontos indevidos em aposentadorias do INSS e os investimentos milionários do fundo de pensão do Amapá em letras financeiras do Banco Master.

Em nota enviada por sua assessoria, Alcolumbre negou qualquer conversa com Lula sobre o Banco Master ou pedidos de proteção política. O comunicado afirma que o senador “jamais tratou do Banco Master” com o presidente e “muito menos fez qualquer queixa ou alegação nesse sentido”.

A assessoria também declarou que o senador não possui qualquer relação com o Banco Master e que não figura como investigado em nenhuma apuração ligada ao caso.

Apesar da negativa, episódios recentes aumentaram as especulações em Brasília. No ano passado, a gestão de Alcolumbre no Senado determinou sigilo de 100 anos sobre registros de entrada e saída do lobista conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela PF como peça-chave no esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias.

O Senado também negou acesso aos registros de entrada de Daniel Vorcaro na Casa, após solicitação feita via Lei de Acesso à Informação.

Além disso, Alcolumbre decidiu não prorrogar a CPI do INSS e arquivou o pedido de criação da CPI do Banco Master, barrando novas frentes de investigação em pleno ano eleitoral.

As duas apurações tramitam atualmente no STF sob relatoria do ministro André Mendonça, que atuou como um dos principais apoiadores da candidatura frustrada de Jorge Messias à Corte.

O avanço das investigações também preocupa aliados próximos do presidente do Senado. Um dos nomes mais ligados a Alcolumbre é o senador Weverton Rocha, relator da indicação de Messias ao STF.

Em dezembro do ano passado, Weverton foi alvo de busca e apreensão durante uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias envolvendo aposentadorias do INSS.

Antes da votação no Senado, o parlamentar chegou a assegurar ao governo que Messias teria os 45 votos necessários para aprovação. No entanto, o chefe da AGU recebeu apenas 34 votos favoráveis, consolidando uma das maiores derrotas políticas do terceiro mandato de Lula.

Fonte: O Globo – Foto: Palácio do Planalto

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