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O corpo do Ressuscitado – Por André Aguiar

Celebramos nesse domingo de Páscoa a Ressurreição de Cristo, que é a data mais importante para o Cristianismo, até mais que o Seu Natal. Como diz São Paulo em Cor. 15,14: “Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã e também é vã vossa fé.”.

 Referido fato extraordinário, trouxe para a humanidade um divisor de águas, pois conforme o testemunho dos Apóstolos e todos os seus seguidores, Jesus teve seu corpo tão desfigurado que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano, como previu e disse Isaías: “A punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura.”.

Um humano corpo, que após ser morto e sepultado, ressuscitou e foi visto por muitos, comeu e conviveu com aqueles homens e mulheres por algum tempo depois subiu aos Céus. Tal acontecimento, objetivamente, é o que professamos e comemoramos no dia de hoje, Cristo tornou-se o glorioso vencedor da morte e o Senhor da vida. Até hoje faz a nós um convite para que sigamos essa boa nova, por isso somos chamados de a religião do Caminho.

Mas antes de falar sobre esse corpo que ressuscitou, é importante fazer memória de Sua genetriz, de onde Ele veio e como foi gerado.

Diferente de outros credos aonde o humano vai a Deus, no Cristianismo Deus veio ao ser humano, Ele “assumiu” a natureza humana, não o nosso pecado, mas apenas as nossas fraquezas e penalidades.

Diz São Paulo, que a encarnação do filho Unigênito de Deus ocorreu quando chegou à plenitude dos tempos.

Para essa Missão, uma Senhora Menina foi predestinada para ser instrumento na execução da encarnação de Jesus. Ele nasceu em Belém que significa a Casa do Pão e Cristo disse de si mesmo; “Eu Sou O Pão vivo que desceu do Céu” (Jo 6,51). Foi dessa Santa e Celeste Menina, a sua Mãe, que adveio a constituição humana do corpo de Cristo.

Contemplamos na ordem hipostática (também conhecida como união mística ou dupla natureza de Cristo), o fundamento da co-redenção Mariana. Existe entre eles uma relação ontológica (ciência do ser). Por causa de sua maternidade, ela é inferior a Deus, mas muito superior aos homens, Maria é sem dúvida entre todas as criaturas a que tem a maior afinidade com Deus, entretanto, esse mistério merece um artigo a parte.

Voltemos, pois, ao Corpo do Ressuscitado.

De acordo com os relatos dos evangelhos o corpo de Cristo após as sua ressurreição, apresentava qualidades muito diferentes daquelas que possuía antes de sua paixão e morte: aparecia e desaparecia de repente, entrava numa sala fechada sem abrir a porta, (o mesmo aconteceu em seu nascimento sem romper a virgindade de sua mãe) mudava a figura de seu corpo, pediu para que os apóstolos tocassem em suas marcas e comeu com eles, para demonstrar aos seus amigos e apóstolos a realidade de sua ressureição. O corpo de Cristo era real e verdadeiro.

A força da Ressureição de Jesus, foi tão grande que “alcançou” um grupo de  corpos de homens e mulheres ” que ressuscitaram com Ele (Mt 27, 51-53). Esses ressuscitados “entraram” em Jerusalém “e apareceram a muitos” como testemunhas autênticas da ressurreição de Cristo e do Seu poder sobre a morte.

Daí, talvez, explica-se e a grande quantidade de pessoas que se converteram ao Cristianismo naqueles primeiros dias após a Sua ressurreição, haja vista que, quando viram seus amigos e familiares que haviam morrido, vivos novamente, foi um fato extraordinário que transformou totalmente a vida de muitos.

O Evangelho nos relata muitas aparições; à Maria Madalena ás outras mulheres, aos apóstolos, aos discípulos de Emaús, e a mais de quinhentos discípulos (cf, Cor. 15, 5-19).

Durante esses dois mil e vinte e um anos Ele continua entre nós, sendo visto por tantos homens e mulheres, notadamente a elas, as mulheres como em primeiro, para quebrar um imenso preconceito entre os Judeus de excluí-las num lugar a parte. Vejam o que escreve lindamente São Tomás de Aquino:

“Também se mostrava desse modo simultaneamente que no concernente ao estado de glória, nenhum detrimento sofreria o sexo feminino; mas se, tiverem mais ardente a caridade, de maior glória também gozarão da visão divina. Por isso as mulheres que mais ardentemente amaram O Senhor, a ponto de não se afastarem do sepulcro, que os próprios discípulos tinham abandonado, também foram as primeiras a ver O Senhor na glória da ressurreição.”

O Evangelho não nos diz nada sobre se o Cristo ressuscitado apareceu a sua Mãe Santíssima, mas a tradição cristã católica é unânime em dizer que ela foi a primeira a contemplar o seu Filho ressurreto.

Nossa incomparável Santa Tereza de Jesus, a de Ávila, diz que O Senhor expressamente confirmou essa primeira aparição à sua Mãe Santíssima na manhã da ressurreição. Segue o texto Teresiano:

Um dia, depois de comungar, pareceu-me claramente que se sentou ao meu lado Nosso Senhor, começando a consolar-me com grandes regalos…Disse-me que, depois de ressuscitar, fora ver Nossa Senhora, que já estava com grande necessidade, pois o pesar a tinha tão absorta e trespassada que não voltou logo a si para gozar daquele gozo (por meio disso compreendi esse meu outro trespassamento, que é bem diferente; qual deveria ser o da Virgem); e que estivera muito com Ela, pois fora necessário estar até consolá-la.

Certa vez, um amigo sabendo de minha fé católica e mariana, ao querer me provocar e suscitar dúvidas me questionou o porquê Jesus teria aparecido primeiro a Maria Madalena e não a sua Mãe?

Confesso que nunca havia me questionado sobre isso, até porque, até então, teria pouco importância no contexto maior da ressurreição.

Pois bem. Como em um flash “me apareceu” a resposta, talvez até pela minha formação jurídica foi fácil respondê-lo.

Eu disse; Eu sei…

Ele disse; digaaa!!!…pois já perguntei a muitos religiosos e religiosas e nunca me responderam.

Eu disse; meu querido amigo, o motivo de não constar nos Evangelhos que Jesus apareceu em primeiro para sua mãe é muito claro para mim. Veja bem, no direito é comezinho saber que a mãe não pode ser testemunha de filho, no máximo, uma declarante apenas….risos…acho que ele se convenceu….

Ouço agora, nessa noite de Vigília Pascal, ocasião em que concluo esse artigo, uma canção que diz:

“Temporal breve e passageiro é tudo aqui, imortal é o Amor de Deus por mim…Toda a dor que a gente sente, vai tratando só quem entende que o Amor jamais se acaba, mesmo que ainda haja falhas dentro em nós, se amamos de verdade, até mesmo a tempestade, vai nos levar a crescer e entender o tempo certo de esperar.”.

O Amor venceu a morte, Ele vive!!! Jesus verdadeiramente Ressuscitou!!! Aleluia!!!

Por André Aguiar em 04 de abril e 2021.

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