Enquanto governo e Congresso ainda devem os detalhes de como farão chegar aos trabalhadores informais o auxílio emergencial recém aprovado de R$ 600 durante a crise causada pela Covid-19, a falta de dinheiro e alimentos já atinge em cheio as famílias que vivem na informalidade.
Armários vazios e barracos repletos de adultos e crianças que deixaram de ir às escolas onde recebiam a merenda – sua principal refeição do dia – são a nova realidade em favelas.
Além de comida, faltam itens como papel higiênico, fraldas, sabão e detergente, para lavar as mãos e a louça. Dentro de muitas casas, a sujeira predomina. Na rua, crianças limpam pés e mãos em fios de água que correm nas guias.
No desespero, muitos moradores já saem de casa para ir atrás de parentes, amigos e entidades assistenciais em busca de alimentos e ajuda.
Em alguns pontos, a sensação é de que não há um isolamento estabelecido pela epidemia. Fora de suas casas minúsculas e mal preparadas, crianças jogam bola e há pessoas ao ar livre em volta de mesas de bilhar ou de um baralho.
Há filas enormes diante de depósitos de gás. Além de boatos de que o produto pode faltar, a demanda cresceu com a presença das crianças e de outras pessoas o tempo todo em casa.
As pessoas foram informadas pela televisão de que deveriam ficar em casa, mas em momento algum o poder público veio com algum tipo de ajuda para sustentar essa medida, muitos já estão saindo em busca de trabalho, alimentos ou dinheiro.